“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Três horas e 25 minutos?

August 18, 2005

A Marktest, empresa que faz os estudos de audiência de rádio em Portugal, diz que, tendo em atenção os números do segundo trimestre de 2005, “Cada português ouviu, em média, três horas e 25 minutos de rádio, por dia“.

Três horas e 25 minutos (é uma média, claro, mas se há quem ouviu menos há quem tenha ouvido mais…)???

Parece-me de mais, mas não tenho dados para contestar os números.
Três horas e 25 minutos?

E, dando-os como correctos, faz sentido deixar algumas considerações:
- ninguém gasta tanto tempo a ler jornais ou a ver televisão, diariamente!
- que força a rádio ainda tem em Portugal;
- que desperdício a rádio não tirar partido deste trunfo!

Introdução 1

A rádio que temos” é um blogue de trabalho. Tem um objectivo muito bem definido e um prazo de validade também concreto: pretende apoiar o trabalho de investigação que irei fazer este ano lectivo no âmbito do doutoramento na Universidade de Vigo.

O trabalho em causa é uma análise das principais rádios portuguesas, ao nível dos formatos que apresentam, suportada pela teoria dos géneros de programação.

A ideia essencial do trabalho é esta: a tecnologia e a música digital ameaçam a rádio que temos, a rádio tal como a conhecemos hoje (e que não é muito diferente - ao nível de formatos - daquela que se faz desde a explosão da televisão - 50 anos sem grandes novidades). Agora, pelo contrário, há mudanças em perspectiva.

Os desafios que tecnologia e a música digital apresentam à rádio que temos é o tema global do meu trabalho de doutoramento (que vai seguindo aqui). Mas como quero centrar a análise na rádio portuguesa, o trabalho (obrigatório) de segundo ano centrar-se-á na rádio que temos em Portugal.

A rádio que temos em Portugal está demasiado presa à música. Assim, sem grandes análises, das cinco rádios mais ouvidas por cá (RFM, RR, Comercial, TSF e A1) duas são essencialmente musicais, duas muito musicais e apenas uma assenta na palavra. Se acresentarmos outras rádios muito ouvidas em Portugal (Cidade FM, RCP ou Antena 3) o panorama ainda se desequilibra mais a favor da música.

Ora - parece-me - é a rádio de formato essencialmente musical (sobretudo a que assenta em play lists, a chamada música comercial, feita de sucessos mais ou menos recentes) que está mais ameaçada por esses novos desafios. Se os pressupostos em que assenta a minha investigação estiverem certos, daqui a 10 anos a rádio que te(re)mos em Portugal será muito diferente. Como será? Não sei, mas daqui a alguns anos espero ter uma resposta (mesmo prospectiva).

O trabalho deste ano pretende ser uma caracterização da rádio que temos, do geral para o particular (os tais formatos). Quando tiver essa caracterização o trabalho final estará melhor suportado.
Até daqui a um ano…