“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Palavras e música (1)

August 30, 2005

De acordo com Andrew Crisell, na rádio tudo o que existe é audível (“todos os signos são audíveis”, Understanding Radio, Londres, Routledge, 1994 (2ª edição), pág. 42).
Mas tudo é o quê?
Sons e silêncio.
Se tentarmos arrumar o que existe (o que ouvimos) na rádio, o silêncio é fácil de excluir. Existe marginalmente e não é opção de emissão – não há nem rádios nem programas de silêncio (mas pode haver silêncios…).
Restam os sons. Basicamente, divididos em três espécies: palavras, música e sons ambiente (estes também devem ser retirados; pode haver programas de sons ambiente, mas será sempre uma experiência marginal – silêncio e sons ambiente não são inúteis na rádio, mas não são elementos dinamizadores).

Sobram a palavra e a música.
Individualmente ou em conjugação (o mais comum), elas preenchem a rádio que temos. Há rádios só de palavra (em que a música é elemento informativo ou decorativo – as promoções ou cortinas separadoras) como há rádios só de música (em que a palavra é mínima – apesar de estar mais presente do que no caso anterior, o que acaba por demonstrar a sua prevalência global) e outras que cruzam elementos.

Mas como é que a rádio que temos distribui estes dois elementos? Como é que os (re)arranja? Como se equilibram?
É esse o objectivo deste trabalho, tentando perceber – com recurso a alguns teóricos – a qualidade de alguns modelos.

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