“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

“Não saber o que esperar…”

September 17, 2005

Sobre o formato “Jack”:
(…) the format focuses on ’70s, ’80s and ’90s hits, sprinkled with current tunes. Target audience: twenty-somethings to baby boomers. A hit in Canada since 2002, Jack could be in 100 U.S. markets this year.
Jack is often backed by “throw away your iPod” marketing hype because it employs playlists of 1,200 or more songs — triple most oldies-style music stations and a bit closer to iPod capacity. “Jack’s a reaction to stations that are tightly formatted and predictable,” Inside Radio editor Tom Taylor says.
Baltimore station WQSR jettisoned its 17-year-old oldies format for Jack on May 4. “With Jack, people don’t know what to expect, and we hope that’s what they’ll gravitate to,” says programming director Dave LaBrozzi
.”
Posted 5/11/2005 8:42 PM Updated 5/15/2005 8:42 PM
Radio changes its tune to recapture listeners
By Gary Strauss, USA TODAY

Diferenças para os EUA

Enquanto em Portugal os formatos são essencialmente musicais, nos EUA a situação é esta:
About 80% of the USA’s 13,838 “terrestrial” radio stations are commercial stations.
Favorite formats:

News/talk: 2,179 stations
Country: 2,066 stations
Religious: 2,014 stations
Adult contemporary: 1,556 stations
Adult standards: 1,196 stations
Oldies: 1,060 stations
Rock: 869 stations

Source: Arbitron

ou seja, são os formatos de palavra que predominam. Com tudo o que isso significa para o futuro da própria rádio.

Uma rádio para homens

Esta “Spike Radio” tem algumas características muito interessantes:
- deriva de um canal de televisão, no cabo, que existe nos EUA, dedicado aos homens. Ou, como dizem, “covers everything interesting to men and women who want to understand men”. O canal chama-se precisamente Spike TV e pertence à MTV (Viacom).
- Estreou em janeiro de 2005 em Las Vegas (AM 1140).
- A programação é muito simples: das seis da manhã à meia noite programas de conversa (com ouvintes?), moderados por figuras relativamente conhecidas. Aquilo que lá chamam “hosts”. Os programas falam sobretudo de temas que interessam aos homens. Sexo, por exemplo. Por isso, na definição da programação há esta ideia: já havia rádios de desporto e rádios de “hot talk”. E uma que misturasse as duas coisas? É a spike radio…
- Ainda sobre a programação: entre a meia noite as seis da manhã ligam-se à “Sporting News Radio“, que também assegura a programação de fim de semana, com relatos (futebol americano, basquetebol, hoquei e basebol), noticiários, comentários. A “Sporting News Radio” é aquilo que em Portugal chamaríamos de produtora de informação, no caso só desporto, emitindo para outras rádios;
- O proprietário da Spike TV já manifestou o interesse em vender o formato outras rádios. Uma rádio para homens, com conversa picante e desporto.

A confusão dos formatos actuais

Felizmente, a esse nível, em Portugal é bem mais fácil.
Nos EUA, onde a rádio é um negócio a sério, a necessidade das rádios se especializarem e segmentarem, devido à forte concorrência e à necessidade de encontrar nichos de mercado, é uma grande confusão - pelo menos para quem, como eu, está agora a analisar essa matéria.
Veja-se o exemplo de um dos maiores operadores nacionais, a Infinity.
Consulta-se a sua lista de rádios por todo o país e encontram-se coisas como esta, ao nível dos formatos:
News/Talk
Urban
Triple A
Hot AC
AC (Adult Contemporary)
FM Talk/Alt Rock
Sports
Jack
Oldies
Classic Rock (ou AOR, Album-Oriented Rock)
Adult Standards
Country
Urban AC
CHR/Pop
Rhythmic CHR (Contemporary Hit Radio)
Active Rock
Smooth Jazz
Spanish
Rhythmic Oldies
Mexican Regional
Spike Radio
Classic Dance
All Comedy
Alternative
Podcasting
Hot Talk
Gospel

A estes podem juntar-se outros como: BM, Beautiful Music, ou MOR, Middle-of-the-Road

Algumas - confesso - não sei o que são. Outras percebe-se pelo nome. Mas há algumas notas que se podem tirar desde já:
- os formatos podem variar em função da especialização musical ou da intensidade da conversa (”hot talk”…); também variam em função da língua (spanish) ou mesmo da etnicidade (Mexican);
- Há formatos puros e formatos híbridos. Mas nenhum rádio evita a classificação: haverá vantagens comerciais e de identificação com o público.
- o formato Talk significa conversa e entrevistas. Mas isso em estado puro. Basta juntar-lhe outra coisa…

Actualizo com estes endereços: estão aqui muitas definições:
http://www.udel.edu/nero/Radio/formats/grid.html e http://www.tvradioworld.com/directory/Radio_Formats/ e ainda a lista da Arbitron.