“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

A organização da actividade produtiva (a origem dos formatos)

September 26, 2005

Quando se começa a falar na construção produtiva de cada rádio, da forma como ela organiza aquilo que quer mostrar aos ouvintes, é preciso ter em conta que em muitos casos, proporcionalmente à ambição e ao mercado em que se encontra, a unidade básica de produção já não é a rádio vista individual e isoladamente, mas num determinado contexto.
David Hendy (pág. 69): “many of the changes in the industry (…) such as networking, syndication, cross-media activity, and internal markets, have all blurred the boundaries of activity”.
Ou seja, há que ter em conta uma realidade mais vasta que vai influenciar. Nenhuma rádio vive isolada. Mesmo em Portugal – onde não há a “sindicação” de formatos – a mais pequena rádio procura referências para imitar ou adaptar.
Mas, afinal, o que é que as rádios imitam ou adaptam? Basicamente, um determinado programa ou um determinado modelo de programação. Um formato.
Este conceito recente, que substitui a ideia mais antiga de “grelha de programas”, tem objectivos bem definidos: “Most radio production is therefore ’serial’ and ‘routinized’ not just in order to establish a reassuringly familiar sound or ‘feel’ to a programme over time, but for simple reasons of cost and time efficiency” (pág. 70).
O autor, nesta passagem, distingue duas razões para o triunfo dos modelos de programação: a criação de rotinas (poderia chamar-se habituação) junto dos ouvintes e uma redução de custos. Mas o mesmo David Hendy acrescenta uma outra razão para aquilo que por vezes se designa por “ditadura dos formatos”: quanto mais organizados, disciplinados e fechados forem, melhor são controlados, até remotamente. “The most efficient means of controlling and predicting is the routinization of production by the adoption of familiar (and therefore I more effortlessly executed) production habits, by the creation of programme templates which can accommodate changing content within a recurring structure, and by the ‘locking in’ of programmes to regular transmission time slots. In other words, formatting” (pág. 94).

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