“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Cinco tipos de rádio

October 5, 2005

A rádio que temos, a que resulta do primeiro choque (televisivo) organiza-se de várias formas não a nível de conteúdos mas de estatuto ou de objectivos a que se propõe.
Seguindo David Hendy (14), é possível distinguir cinco modelos de financiamento (e assim se percebem também as suas motivações):
- rádio estatal (aquela que é propriedade e usada pelo estado em qualquer país)
- rádio livre (“underground radio”)
- rádio comunitária
- rádio de serviço público
- rádio comercial

Algumas são de fácil caracterização, como a rádio comercial, que vive da publicidade para se financiar; também a rádio comunitária tem uma explicitação simples (rádios, geralmente de pouca potência, sem objectivos lucrativos, que se destinam a um grupo muito definido, um bairro, um hospital, uma universidade). Já a designação de rádio livre remete para o universo das emissoras piratas (não legalizadas), que ainda são frequentes em muitos países, mesmo industrializados, um pouco ligadas a fenómenos de contra-cultura. Hendy refere o fenómeno das micro-rádios nos EUA como uma evolução deste tipo de emissoras (“… small, sometimes one-person operations using very low power transmitters the size of a brick and costing perhaps no more than $1,000 to reach a handful of neighbourhoods”, Hendy, pág.15). A rádio na Internet é uma evolução, também, da rádio livre, uma vez que está desregulamentada.
Restam as rádios estatais e as de serviço público – e aqui as diferenças não são tão óbvias.
Considere-se primeiro a rádio estatal como aquela que, sendo propriedade de um governo, é usada por ele como instrumento de propaganda, não necessariamente ideológica. É uma rádio de características oficiais, sem publicidade comercial, obrigatoriamente financiada pelo governo – existe, nestas circunstâncias, em países de regime ditatorial, partido único, ou em países muito pobres, onde a publicidade não viabilizaria a propriedade privada (há também que considerar, como faz Hendy, os serviços transnacionais de rádio, como a BBC World Service ou a RDP Internacional, que tendo um carácter oficial estão desideologizadas e não oferecem actualmente um serviço propagandístico).
Já a rádio de serviço público até pode não ser propriedade do Estado (uma fundação ou uma associação privada, por exemplo), muito embora na maior parte dos casos seja.
Depois varia a forma como se financia: apenas com receitas vindas do Estado ou com recurso a publicidade (ou a uma taxa)?
O que não varia tanto é a lógica de programação: não deverá estar sujeita às regras concorrenciais, nem preocupada com as audiências, incluindo na sua programação conteúdos que reflictam a cultura e a diversidade do país. Nas rádios de serviço público propriedade do Estado há em muitos casos a preocupação de criar entidades “independentes” que nomeiam as suas direcções, para evitar uma dependência directa do poder. Para Hendy, “Public-service radio differs from state radio in being institutionally insulated from direct government control, though still usually dependent on the state for most of its financing” (pág. 17)

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