“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Receios na GB, incentivos nos EUA

October 8, 2005

A forma como a indústria musical encarou a música na rádio condicionou a forma como esta evoluiu. Muito mais peso nos EUA, mais restringida na Grã Bretanha.
In the United States, the recording industry always perceived radio to be a useful means of advertising its products, and was reluctant to extract fees; in the UK, record companies made an early assumption that pop-music radio represented competition to record sales while musicians worried about the threat to live performances, and this led to ‘needle-time’ agreements that limited output severely
David Hendy, pág. 39

Modernas e antigas

La evolución de la radio, desde la aparición de la FM, ha consagrado el desarrollo de las radios llamadas temáticas, por oposición alas radios más antiguas llamadas generalistas
Aurora Garcia in “La Idea frente a la Técnica: el Valor de la Persona en la Radio Digital

Alterações nos formatos temáticos

Aurora Garcia defende que a internet vai mudar a rádio, tal como a conhecemos. A muitos níveis, também nos formatos, sobretudo nos temáticos musicais.
Diz a investigadora espanhola que “La noción de servicio a la carta, es decir respondiendo a un requerimiento preciso del consumidor, eventualmente dispuesto a pagar por verlo satisfecho lo antes posible, procede de otra lógica, la de la conexión propia a Internet. Es lógico que las radios musicales, asociadas a la imagen de una corriente musical determinada, cuiden de proponer estos servicios a su público, aunque esto les haga penetrar en el universo de la concurrencia de la distribución musical, que pone a la venta los mismos fragmentos musicales, sin mencionar los riesgos de un posible pirateo“.

A autora explica que isto será consequência da “evolución de la radio, desde la aparición de la FM, ha consagrado el desarrollo de las radios llamadas temáticas, por oposición alas radios más antiguas llamadas generalistas. Esta especialización de las emisoras se ha desarrollado especialmente en el terreno musical, tanto en la radio local como en las comunitarias. El límite principal a una expansión suplementaria de estas radios ha sido hasta el presente la falta de frecuencias de FM, los nuevos programas teniendo cada vez mayores dificultades para obtener el mínimo indispensable para su equilibrio.
Es por lo que con toda naturalidad el lanzamiento de radios sobre la red ha privilegiado este eje de desarrollo. Es en el terreno musical donde la tematización de las radios ha tenido mayor empuje: la diversidad de gustos del público exige una respuesta cada vez más especializada, en tanto en cuanto el vínculo creado por la radio refuerza el sentimiento de pertenecer a una comunidad singular, muy presente especialmente en la relación de los jóvenes con “su” radio y que se expresa con fuerza por la afirmación de gustos musicales muy segmentados”.

Designações de banda larga

A Ofcom britânica (”The Communications Market 2005”, pag 69), que regista (e controla) por lei, os formatos ou estilos de cada rádio, reconhece que muitas vezes a arrumação por categorias pode pecar por ser demasiado generosa, uma vez que cabe “tudo” lá dentro.) stations can be grouped into one of a number of styles, although these can only be broad-brush categorisations. Each station’s Format defines the exact character of the service and the supporting detail (which may, for example, include specific programmes that fall into a different style)”.

O esquema que a Ofcom faz da arrumação radiofónica britânica pode ser visto aqui.

Mais diversidade na escolha?

A variedade de formatos permite alargar a escolha dos ouvintes?
As opiniões dividem-se.
De acordo com o relatório 2005 da autoridade britânica Ofcom (“The Communications Market 2005”), há um aumento da capacidade de escolha por parte do ouvinte, embora apenas nas áreas urbanas: “The increase in the number of stations over recent years has allowed for the launch of stations offering more niche formats and for stations which can provide more localised programming to smaller areas than was previously available. As community radio becomes more widespread over the next couple of years, analogue choice in some areas will increase further” (pág. 69)

Outro modelo de organização

Uma caracterização do sector rádio em qualquer país passará sempre por estabelecer uma grelha de arrumação, assente em qualquer critério. Neste caso, estamos a usar o da propriedade/financiamento.
Ora isso torna-se complicado se não existir uma arrumação (regulamentação?) do sector ou se, como se verifica comparando diversos países, existirem diferentes prioridades.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, o sector divide-se entre a BBC (serviço público) e estações comerciais, com uma única subdivisão (entre rádios locais e nacionais). Todas estas rádios podem transmitir de uma forma analógica (em Onda Média, Frequência Modulada) ou digital (até finais de 2004 apenas o DAB).
Esta divisão, contudo, ignora as rádios transmitidas por satélite, as rádios de comunidade e as rádios de serviço restrito que existem naquele país.

A reformatação na GB

Ao contrário dos EUA, onde em 24 horas uma estação pode mudar de formato, na Grã-Bretanha, aquilo que lá também chamam de “estilo” de cada rádio está regulamentado e depende de uma autorização da autoridade estatal Ofcom para poder haver alteração.
Como dá conta o relatório “The Communications Market 2005” (pág. 39), em 2004 apenas uma estação de rádio o fez em todo o país!
Under section 106(1) of the Broadcasting Act 1990, Ofcom is required to include conditions in each analogue local commercial radio licence that ensure that the character of the service, as proposed in the station’s application, is maintained during the licence period.
Ofcom meets this requirement by means of a Format, which includes a description of the character of the service (the output and the audience at which it is targeted) and supporting detail on how much of the service will be produced and presented locally (i.e. from a studio in the licence area), and the specific type(s) of music and speech output to be provided.
Formats help Ofcom to meet its general statutory duty to secure “the availability of a wide range of television and radio services which (taken as a whole) are both of high quality and calculated to appeal to a variety of tastes and interests” (section 3(2)(c) of the Communications Act 2003).
Format changes either happen as an outcome of a section 355 review (following a change of control) or following a request from a licensee. 33 licensees were permitted changes to their formats during 2004. Most of these involved schedule changes, although one involved a complete change to the station Format. In December 2004, Sunrise Radio was given permission to change the Format of one of its AM London stations from a country music station “Easy 1035” to an Asian talk station “Kismat Asian Talk Radio
”.”
(fonte: http://www.ofcom.org.uk/research/cm/cm05/radio.pdf)

O tempo de duração de um formato

Uma das características destes formatos novos é a sua curta existência, rapidamente substituídos por outros na mesma rádio.
A reformatação é uma ideia sempre presente, mal as audiências começam a indicar uma quebra no interesse dos ouvintes ou se o conceito utilizado não vingou.
Com recurso a muita criatividade, marketing, produção, etc, um formato pode durar no máximo dois anos.
(este assunto é abordado aqui)

Características do formato “Jack”

- Sabe-se que uma das características dos formatos radiofónicos é a sua rigidez, proporcional à necessidade que os programadores e proprietários das rádios sentem em definir um produto muito específico para um público muito concreto (e assim serem atractivos para os anunciantes). Ora, a característica deste recente formato, nascido em 2002 no Canadá, é que é muito menos rígido na oferta musical. A sua “play list” pode chegar aos 1200 temas, essencialmente de décadas anteriores (uma vez que há um público definido, entre os 30 e os 40 anos), mas pode incluir também novidades de – e isto é importante – diversos estilos musicais (é uma rádio de “sucessos para adultos”, “adult hits”, mas com particularidades).
- O formato “Jack” está associado a uma atitude irreverente, que pode passar pela presença de “jocks” em antena, animadores que provocam a audiência com humor ou linguagem mais ou menos obscena (embora não seja uma das suas características essenciais).
- A ideia de diversidade, de resposta à concorrência dos formatos fixos, é tão forte que o seu slogan é “Tocando o que nós queremos” (e, subentende-se, aquilo que a rádio quer). Ou seja, é como se não tivesse uma play list…
- O nome remete para uma ideia de (aparente) proximidade – é a rádio de tipos como eu, tipos normais, que gostam da música de que eu gosto.
- É indiscutivelmente um dos formatos da moda nos EUA e no Canadá, ao ponto de ser, também, um dos mais copiados (“The Jack format has generated more press than practically any other format in the past five years”, lê-se num trabalho da Radio Marketing Nexus). O formato está registado por uma empresa canadiana (“Sparknet Communications”), que o licencia, mas as imitações aparecem de todo o lado e com vários nomes (“Bob”, “Hank” ou “Charlie”, por exemplo), com recursos judiciais pelo meio.
- Essa aparente diversidade e variedade fazem com que, na verdade, se possa dizer que não há duas rádios, com este mesmo formato, iguais (provavelmente ninguém dirá que ouviu, noutra frequência, uma rádio igual).
- Dados de 2005 diziam que estava licenciado para 21 rádios e “imitado por muitas mais”.
- De acordo com Gui Zapoleon, estratega da indústria radiofónica norte-americana, existem três razões que explicam o sucesso do formato: “1) A lot of angry, dissatisfied listeners are tired of the lack of variety and format diversity in radio today, so they eat up a unique mix where the only personality is a smart-ass “contemptious” voiceover talent saying “we play whatever we want”; 2) passionate music fans, sick of radio tight playlists, are getting a wide and deep playlist with “Oh wow” oldies mixed in with hits; and 3) you have a body of music from the ’70s and ’80s that is drawing big 35-44-year-old adult numbers because this is the new Oldies audience.”

“Jocks”

Howard Stern é um “jock”. A palavra tem uma tradução difícil em português, porque estamos a falar de uma realidade completamente diferente, mas se não há um equivalente, pelo menos há o conceito: são os responsáveis pelos programas de conversa, nomeadamente na rádio norte-americana (mas não só), que se distinguem pela linguagem agressiva, por vezes mesmo obscena ou humorística, que usam.
Podem passar alguma música, mas não é isso que os distingue (nesse caso seriam descritos como “DJs”). Genericamente estes “broadcasters” (animadores?) são classificados como “Hosts”, aqueles que lideram os programas de “talk radio”, mas “jocks” refere-se em concreto a um subgénero que se distingue pela polémica.
Mais informação em http://www.reference.com/browse/wiki/Shock_jock