“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Características do formato “Jack”

October 8, 2005

- Sabe-se que uma das características dos formatos radiofónicos é a sua rigidez, proporcional à necessidade que os programadores e proprietários das rádios sentem em definir um produto muito específico para um público muito concreto (e assim serem atractivos para os anunciantes). Ora, a característica deste recente formato, nascido em 2002 no Canadá, é que é muito menos rígido na oferta musical. A sua “play list” pode chegar aos 1200 temas, essencialmente de décadas anteriores (uma vez que há um público definido, entre os 30 e os 40 anos), mas pode incluir também novidades de – e isto é importante – diversos estilos musicais (é uma rádio de “sucessos para adultos”, “adult hits”, mas com particularidades).
- O formato “Jack” está associado a uma atitude irreverente, que pode passar pela presença de “jocks” em antena, animadores que provocam a audiência com humor ou linguagem mais ou menos obscena (embora não seja uma das suas características essenciais).
- A ideia de diversidade, de resposta à concorrência dos formatos fixos, é tão forte que o seu slogan é “Tocando o que nós queremos” (e, subentende-se, aquilo que a rádio quer). Ou seja, é como se não tivesse uma play list…
- O nome remete para uma ideia de (aparente) proximidade – é a rádio de tipos como eu, tipos normais, que gostam da música de que eu gosto.
- É indiscutivelmente um dos formatos da moda nos EUA e no Canadá, ao ponto de ser, também, um dos mais copiados (“The Jack format has generated more press than practically any other format in the past five years”, lê-se num trabalho da Radio Marketing Nexus). O formato está registado por uma empresa canadiana (“Sparknet Communications”), que o licencia, mas as imitações aparecem de todo o lado e com vários nomes (“Bob”, “Hank” ou “Charlie”, por exemplo), com recursos judiciais pelo meio.
- Essa aparente diversidade e variedade fazem com que, na verdade, se possa dizer que não há duas rádios, com este mesmo formato, iguais (provavelmente ninguém dirá que ouviu, noutra frequência, uma rádio igual).
- Dados de 2005 diziam que estava licenciado para 21 rádios e “imitado por muitas mais”.
- De acordo com Gui Zapoleon, estratega da indústria radiofónica norte-americana, existem três razões que explicam o sucesso do formato: “1) A lot of angry, dissatisfied listeners are tired of the lack of variety and format diversity in radio today, so they eat up a unique mix where the only personality is a smart-ass “contemptious” voiceover talent saying “we play whatever we want”; 2) passionate music fans, sick of radio tight playlists, are getting a wide and deep playlist with “Oh wow” oldies mixed in with hits; and 3) you have a body of music from the ’70s and ’80s that is drawing big 35-44-year-old adult numbers because this is the new Oldies audience.”

Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://osegundochoque.blogsome.com/2005/10/08/caracteristicas-do-formto-jack/trackback/

No comments yet.

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>