Como se organiza
É possível encontrar várias formas de organizar o sector rádio nacional ou internacionalmente, em função de critérios diversos, mas estando o objecto deste trabalho centrado na programação, importa focalizar os seus dois elementos-chave: palavra e música, mas cada vez mais agrupados em formas múltiplas, com mais ou menos peso de cada um deles, em função dos públicos que se pretendem atingir ou do serviço (público?) que se quer prestar.
Cada rádio sente necessidade, no confronto concorrencial, de se mostrar diferente, tendo em vista não apenas um determinado público mas também os anunciantes, na cidade, região ou país para onde emite.
A questão, nesta altura, é como organizar uma realidade que, provavelmente, não tem organização possível, se se quiser respeitar as minúsculas idiossincrasias de cada projecto. Marti i Marti lembra “la dificultad de establecer reglas y clasificaciones universales sobre los géneros de programas, que sean válidos para todos los modelos radiodifusores” (pág. 30). Muito mais, portanto, se se compararem continentes (europeu e norte-americano). É, assim, normal não existir uma tipologia universalmente aceite.
Cada autor vai propondo uma organização mais ou menos lógica dos conteúdos que caracterizam a rádio em cada país, mas essa organização é contestada de imediato por outro autor (é o caso de Marti i Marti face a Muñoz Gil, páginas 33 a 37).
Além do mais, quanto mais a caracterização se centra nas características de cada país, mais se divorcia da realidade vizinha. É o caso da proposta de Marti i Marti de “tipologia funcional de los géneros dominantes de la radio espanhola” (pág. 40), em que se distinguem “cinco grandes famílias: informativos, musicales, dramáticos, entretenimento [e] mixtos” (pág. 42). Ora, como se verá adiante, este retrato nada tem a ver com a realidade portuguesa, onde basicamente só há um género, o musical, e dois residuais, informativo e misto. Ou seja, nada de géneros dramáticos ou de entretenimento.
