“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Grupo Media Capital imita Renascença

October 16, 2005

Há portanto em Portugal um grupo de rádios claramente dominador (Grupo Renascença), mas que não é aquele que possui mais alvarás. Este (Media Capital) optou em determinado momento por reformatar os seus principais projectos, numa lógica de “actuação por competência directa” “Se trata de ofrecer un espacio de característcas parecidas al que en aquellos momentos es el líder de audiencia o de prestigio, con el fin de intentar acceder al público mayoritario que lo escucha e intentar participar en el éxito publicitario del mismo” (MIM, 76)

Bareme

Lançado em 1994, o Bareme-Rádio é o único estudo existente em Portugal, que fornece informação sobre as audiências de rádio para todo o país.”

O ataque da televisão (1)

«La primera consecuencia del nacimiento de la televisión fue el descenso vertiginoso de las cadenas de radio [nos Estados Unidos]. Esta caída de las cadenas obedeció a una razón: la televisión, sin duda porque sus propietarios y protagonistas (locutores, showmans, programadores, directores, etc.) eran los mismos, imitó la programación y la estructura de la radio con la ventaja de ser un medio más completo (imagen y sonido), y más interesante, tanto para las empresas de comunicación como para el público» DÍAZ MANCISIDOR y URRUTIA, V. La nueva radio, SEUPV, Bilbao, 1986, págs. 30-31 apud Martí i Martí, pág. 67.
Este facto provocou um aumento do impacto das rádio locais, numa lógica de proximidade com as populações, muito embora as cadeias de emissão nunca tenham desaparecido.
Já na Europa, sobretudo continental, a rádio mantinha-se na esfera do poder político e as rádios locais tardaram muito a afirmarem-se.

O papel das audiências no desenho das programações

(depois de se apresentar a tabela das rádios mais ouvidas).
Parece-me, no entanto, importante dizer que o sistema de audiências radiofónicas vigente em Portugal, ainda nesta altura (o mesmo desde a sua criação em….) assente em na memória dos que respondem a entrevistas telefónicas e com apresentação trimestral, não é um sistema que dê garantias quanto a uma planificação lógica. É um pouco como diz Marti i Marti: “Durante muchos años, los responsables del diseño de las parrillas de programación de los medios actuaban sobre indicios más o menos racionales, más o menos intuitivos, de los gustos de la audiência” (pág. 73).
Não se pode, contudo, ignorar que os diferentes «baremes» permitiram a segmentação da rádio em Portugal e isso ajudou a mudar o panorama da rádio também neste país.

Contexto histórico

O modelo histórico português é muito semelhante ao espanhol, que, mesmo durante a ditatura, permitiu a criação de rádios, locais e nacionais, privadas, ao contrário da televisão, num modelo misto: “a medio camino entre la concepción comercial y la estatalista: el estado declaraba como monopolio suyo el espacio radioeléctrico, pero permitía la existencia de emisoras en manos de particulares (MIM,67)

A antena 3 como rádio de serviço público

O facto de existir na actual grelha da Antena 3 um espaço de uma hora apenas de palavra, com participação dos ouvintes, pressupõe uma lógica de serviço público:
“En la programación de una emisora que pretende captar un público básicamente juvenil aficionado a la música, no será pertinente la inclusión continuada de programas de palabra” (MIM,págs 56/57)

Ponto de partida metodológico

A proposta é analisar as diferentes grelhas de programas (e as tabelas publicitárias, onde encontraremos os manifestos auto-propostos de cada rádio) recorrendo à verificação dos seus conteúdos numa perspectiva – para usar o termo de Martí i Martí – da sua “finalidade” (aliás, o mais importante para este autor quando se pensa numa estratégia de programação). Estamos, pois, no domínio dos objectivos de cada rádio. “La radiación de un tipo de programas y la supresión de otros presupone una determinada orientación productiva a la búsqueda de un público consumidor, como sería el caso de las emisoras comerciales o, en el de las radios públicas, la realización de un servicio social por mandato institucional” (MiM 56)

Como compreender a rádio híbrida

A rádio híbrida é aquela que não tem um elemento distintivo, seja palavra seja música. Os dois conteúdos coexistem em proporções equilibradas e sequenciais ao longo de um mesmo dia: há horas mais musicais e horas só de palavra (basicamente informação ou fóruns. Martí i Martí usa a expressão “géneros mistos” (pág 43) para descrever programas que pela sua diversidade de conteúdos e estrutura de apresentação se afastam dos géneros clássicos e até dos restantes programas de uma mesma grelha. Aceita-se a formulação, mas falando mais de programações do que de programas, parece óbvio que uma rádio não deixa de ser musical se, de manhã, tiver um programa híbrido, com informações de trânsito, humor, rubricas didácticas ou até um consultório. Ou seja, a caracterização, qualquer que ela seja, tem de se basear em elementos dominadores. A não existirem, estaremos perante um rádio híbrida.