“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

O narrowcasting também em Espanha

October 22, 2005

La concentración de emisoras en grandes ciudades podría haber sido una ocasión para la ampliación y diferencia de ofertas, sin embargo, está suponiendo mayor concurencia con idénticos planteamientos. Y además con una estrategia similar de concentración de los mismos tipos de contenidos a las mismas horas. Así es la programación de los noticiarios, de los magazines, de las transmisiones deportivas, de la difusión, de la musica, etc.”
Cebrian Herreros, pág. 426

A ausência de cadeias nacionais

Uma das características da rádio portuguesa é que, ao contrário do que acontece com a generalidade da rádio na Europa ou nos Estados Unidos, não existem cadeias de rádios associadas.
Seja porque não existe dimensão geográfica ou indústria radiofónicaque o justifique, seja pela falta de uma regionalização politico-administrativa, seja, finalmente, porque a lei não o permite verdadeiramente, a verdade é que faltam soluções de associação, em que “la personalidad de la emisora se manifiesta con diversas programaciones pero dentro de unos planteamientos coherentes. Esto obliga a que cada canal tenga su propia identidad suficientemente diferenciada de los demás. Se ofrecen programaciones variadas y complementarias, pero nunca competitivas entre sí” (Cebrián Herreros, M. (1994). Información radiofónica. Mediación técnica, tratamiento y programación. Madrid: Síntesis, pág. 420).

Cebrián Herreros, M. (1994). Información radiofónica. Mediación técnica, tratamiento y programación. Madrid: Síntesis


A rádio “tertúlia”

Muito implantada em Espanha, esta rádio distingue-se por ter estas características (em construção):
- tem custos muito mais baixos do que outras opções programáticas que exigem maior tempo de produção
- tem alguns riscos, nomeadamente na separação de factos e opinião. Na opinião de Martinéz e Herrera, isto acontece “cuando el conductor olvida su papel de moderador de la charla y participa con sus opiniones en el transcurso de la emisión”.

- um género muito adaptado às características da rádio (mais do que, pelo estatismo, à televisão ou, ainda menos, à imprensa);
Merayo distingue (Merayo, 2000: 210-213) várias características:
- Periodicidade habitualmente diária e manutenção muito tempo em grelha;
- ligação à actualidade mais próxima;
- participantes habituais;
-emprego de uma “linguagem coloquial culta”;
- duração curta (20/30 minutos);
- variedade e alternância de temas

“Horas-relógio”

Em Espanha chamam-lhe “rádiofórmula” e inglês “Hot Clock”. O princípio é simples: os conteúdos são espalhados ao longo de uma hora de rádio na sequência pré-determinada e obedecendo a uma determinada exigência (notícias de 15 em 15 minutos, por exemplo). Essa hora-relógio é depois mimetizada nas horas seguintes.
O conceito de “Hot Clock” é muito usado nas rádios “all news” e mesmo nos formatos musicais, assentes em play lists.
Um exemplo.

Diferenças entre generalistas ou especializadas

Definir uma rádio especializada é fácil: distingue-se por apresentar um modelo monotemático, perfeitamente identificado, ao longo das 24 horas de emissão (nem que seja com recurso a repetições). São rádios que surgem na lógica de segmentação, dirigidas a um público muito bem definido, que a rádio não hesita, ela própria, em invocar ou definir. Para concretizarem esses objectivos tão precisos, as rádios especializadas recorrem à importação ou à criação de um formato que pretende corresponder aos gostos/desejos do público-alvo (seja numa opção de repetição de fórmulas em horas-relógio, musicais ou informativas, seja naquilo que Josep Martí chama de rádio temática – com recurso, portanto, a diversos géneros ao longo de um mesmo dia).
Já a definição de rádio generalista, podendo fazer-se por oposição, não permite uma duplicação, uma vez que se trata de uma solução muito vaga e, mesmo, indefinida. De acordo com o sítio do Ministério da Educação e Ciência espanhol, “El modelo generalista, al que también se le conoce con otras denominaciones como convencional, total o tradicional, es aquel al que pertenecen todas aquellas emisoras que explotan distintos contenidos y, por tanto, ofrecen espacios variados (informativos, musicales, deportivos, culturales, etc.).”
Embora pareça que o modelo generalista está em desuso, é forçoso reconhecer que também ele evolui~u. Longe vão os tempos em que se “solía seguirse el principio de la dosificación equilibrada según la consideración tradicional de las funciones de los medios de comunicación, es decir: 30°/0 de contenidos informativos, 30% de entretenimiento, 30% de contenidos culturales y educativos y el resto se repartía entre estos o bien se incorporaban los contenidos persuasivos: publicidad, propaganda y autopromoción” (Cebrián Herreros, M. 1994. Información radiofónica. Mediación técnica, tratamiento y programación. Madrid: Síntesis, págs. 420-421)

Se a rádio generalista, por se dirigir a um público diverso, com recurso a géneros diversos e a conteúdos diversos, é inclassificável (é “tudo”), a não ser como generalista, a rádio especializada também o é apenas se a considerarmos com um todo.
Na verdade, a rádio especializada abre-se em múltiplas sub-especializações com conteúdos predeterminados. São os formatos, quase sempre de características monotemáticas.
Apesar de haver quem, como Cebrián Herreros, distinga a especialização de conteúdos da especialização por “los tratamientos o formatos peculiares de la programación” (pág. 426), a realidade mostra que estamos perante a mesma coisa – todas as rádios especializadas são formatadas, ainda que isso não signifique importação de um modelo pré-concebido (a formatação é uma atitude de direcção de programação, de gestão dos conteúdos radiofónicos).
Aliás, este autor dá como exemplos de rádios especializadas num determinado conteúdo a Rádio Salud, de Barcelona ou a Rádio Santa María, de Toledo. Mas basta analisar a grelha de programas desta última, por exemplo, para perceber que se trata de uma rádio altamente formatada, programada ao minuto, sem espaço para a criatividade de quem lá trabalha ou destinada a surpreender quem a ouve.

As rádios mistas. Algumas rádios, porém, sobretudo rádios mais pequenas, caracterizam-se por vezes por utilizarem, na sua programação, os fundamentos dos dois conceitos: em determinadas horas têm uma programação mais convencional, com entrevistas, passatempos, humor, musica, notícias, e noutras reproduzem apenas uma play list. São modelos mistos (ou híbridos), que devem ser sempre considerados.

A tecnologia acaba com os formatos musicais?

A propósito da conferência que se realiza em Londres no dia 24 de Novembro (Radio Edge), tirei isto do programa:
“TECHNOLOGY KILLED THE RADIO FORMAT…?
How are music radio stations responding to the huge growth in availability of music? Is the traditional music policy/format still relevant in a world of iTunes, Napster, 40GB of music in your back pocket, online personalized juke boxes and on-demand radio listening? How should linear radio react to this seismic shift in the availability of music and content? What do our listeners expect from music radio now, and what can linear radio do to keep people tuned in? Panel discussion with contributions from both sides of the divide, including Napster’s Jeff Smith (ex-Radio 1).
This is the year that podcasting and on-demand media consumption have started to go mainstream. But what does this mean for the radio industry? Where kind of opportunities and threats does on-demand content offer in terms of making money, listener loyalty, reaching new audiences, managing costs, rights, formats and production issues? And then there’s the question of measuring the audiences”.