Definir uma rádio especializada é fácil: distingue-se por apresentar um modelo monotemático, perfeitamente identificado, ao longo das 24 horas de emissão (nem que seja com recurso a repetições). São rádios que surgem na lógica de segmentação, dirigidas a um público muito bem definido, que a rádio não hesita, ela própria, em invocar ou definir. Para concretizarem esses objectivos tão precisos, as rádios especializadas recorrem à importação ou à criação de um formato que pretende corresponder aos gostos/desejos do público-alvo (seja numa opção de repetição de fórmulas em horas-relógio, musicais ou informativas, seja naquilo que Josep Martí chama de rádio temática – com recurso, portanto, a diversos géneros ao longo de um mesmo dia).
Já a definição de rádio generalista, podendo fazer-se por oposição, não permite uma duplicação, uma vez que se trata de uma solução muito vaga e, mesmo, indefinida. De acordo com o sítio do Ministério da Educação e Ciência espanhol, “El modelo generalista, al que también se le conoce con otras denominaciones como convencional, total o tradicional, es aquel al que pertenecen todas aquellas emisoras que explotan distintos contenidos y, por tanto, ofrecen espacios variados (informativos, musicales, deportivos, culturales, etc.).”
Embora pareça que o modelo generalista está em desuso, é forçoso reconhecer que também ele evolui~u. Longe vão os tempos em que se “solía seguirse el principio de la dosificación equilibrada según la consideración tradicional de las funciones de los medios de comunicación, es decir: 30°/0 de contenidos informativos, 30% de entretenimiento, 30% de contenidos culturales y educativos y el resto se repartía entre estos o bien se incorporaban los contenidos persuasivos: publicidad, propaganda y autopromoción” (Cebrián Herreros, M. 1994. Información radiofónica. Mediación técnica, tratamiento y programación. Madrid: Síntesis, págs. 420-421)
Se a rádio generalista, por se dirigir a um público diverso, com recurso a géneros diversos e a conteúdos diversos, é inclassificável (é “tudo”), a não ser como generalista, a rádio especializada também o é apenas se a considerarmos com um todo.
Na verdade, a rádio especializada abre-se em múltiplas sub-especializações com conteúdos predeterminados. São os formatos, quase sempre de características monotemáticas.
Apesar de haver quem, como Cebrián Herreros, distinga a especialização de conteúdos da especialização por “los tratamientos o formatos peculiares de la programación” (pág. 426), a realidade mostra que estamos perante a mesma coisa – todas as rádios especializadas são formatadas, ainda que isso não signifique importação de um modelo pré-concebido (a formatação é uma atitude de direcção de programação, de gestão dos conteúdos radiofónicos).
Aliás, este autor dá como exemplos de rádios especializadas num determinado conteúdo a Rádio Salud, de Barcelona ou a Rádio Santa María, de Toledo. Mas basta analisar a grelha de programas desta última, por exemplo, para perceber que se trata de uma rádio altamente formatada, programada ao minuto, sem espaço para a criatividade de quem lá trabalha ou destinada a surpreender quem a ouve.
As rádios mistas. Algumas rádios, porém, sobretudo rádios mais pequenas, caracterizam-se por vezes por utilizarem, na sua programação, os fundamentos dos dois conceitos: em determinadas horas têm uma programação mais convencional, com entrevistas, passatempos, humor, musica, notícias, e noutras reproduzem apenas uma play list. São modelos mistos (ou híbridos), que devem ser sempre considerados.