“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Arbitron

November 1, 2005

A Arbitron é a empresa que realiza as audiências de rádio nos EUA (entre outras actividades deste gigante dos estudos de opinião) a nível nacional.
Os seus estudos têm um valor muito importante na definição dos formatos e das campanhas de publicidade.
A realização dos estudos tem sido feita de uma forma empírica, mas a empresa pretende lançar um sistema electrónico designado “Portable People Meter“.

Notas introdutórias aos formatos clássicos

O que se segue nas próximas páginas é uma tentativa de conceptualização dos principais formatos de rádio nos EUA, reconhecendo que esta indústria é não só a maior mas em muitos casos (publicidade, marketing, tecnologia, legislação e também programação) a locomotiva que puxa pela restante rádio.
Mas algumas notas prévias são necessárias:
- como se verá no caso português – e não é situação única – não há uma correspondência directa entre o que é apresentado ao público, pelo menos ao nível da denominação, e os nomes clássicos destes formatos (ainda assim, como se tentará demonstrar, não são realidades antagónicas);
- nem nos Estados Unidos estas denominações são pacíficas, com sub-géneros ou variantes que introduzem confusão no próprio mercado radiofónico do país. Por um lado é importante reconhecer que os nomes em causa não são regulamentares (teoricamente cada rádio pode designar-se como quiser) e dependem de estratégias de marketing local e concorrencial, muitas vezes evoluindo em poucas semanas – ainda assim, a Arbitron reconhece-os, regista-os e isso ajuda a alguma institucionalização (sendo que se espera também algum reconhecimento por parte do público);
Se conjugarmos as duas notas anteriores, isso não conduz ao esvaziamento do projecto? Creio que não. Por um lado, não haverá uma valorização da questão, limitando-se o trabalho à enunciação das grandes famílias, esquecendo os seus derivados e sub-géneros, sem grande desenvolvimento; por outro lado, e como ficou claro em capítulo anterior, a lógica do formato não se reduz ao nome – no fundo é como se alguém avaliasse a personalidade de outro pelo seu nome.
Há uma lógica de actuação em cada formato, há uma filosofia subjacente e há sobretudo a necessidade de compreender como é que o mercado de rádio mais poderoso e concorrencial está a organizar-se em termos de programação.

A origem do “Jack” como consequência

Corey Deitz explica a origem do formato “Jack” como resposta às play lists das rádios limitadas a 100 ou 200 músicas e sobretudo como resposta à resposta que os consumidores encontraram na tecnologia (”Maybe Commercial Radio Didn’t Know JACK All These Years“, 20/7/05):

“Mp3 files, iPods, Satellite Radio, SmartPhones, PDAs, and other technology is forcing commercial Radio to take a long, hard look at what it has become and how it can stay relevant.
If a station pops up in your city named “JACK” or “DOUG” or any other number of names don’t be surprised.
This past October 7, 2004, the former KFME-FM (105.1) in Kansas City became JACK-FM. Their slogan? “Playing What We Want”. The Susquehanna owned radio station has taken a cue from the changing challenges of what listeners really want: a library of music that offers real variety and an irreverant but fun attitude.
That’s what you get from JACK.
This past March 13th, Indianapolis got its own JACK: 104.5 JACK-FM. And this guy promises to play “thousands of hit songs” from the ‘70s through today…plus some attitude.
The JACK stations are using the iPod “shuffle” metaphor. In other words: don’t expect the same 150 songs over and over again. In Los Angeles, KCBS-FM (formerly Arrow 93.1) is now JACK-FM. Their motto? You guessed it: “Jack-FM, Playing What We Want.”
In Detroit, Michigan: WDRQ-FM (93.1) recently reinvented itself and became DOUG-FM. Guess what? DOUG says “We play Everything”.
Indianapolis now has HANK-FM. Technically it’s WLHK-FM, but now better known as “97.1 Hank FM: He plays anything Country.”
The former KFMB-FM in San Diego opted to change it’s name and format in early April and became “100.7 JACK”.
So how’s JACK and the boys doing in the ratings?
FMBQ. says:
Bridge Ratings shows that one year into the format, the first U.S. Jack station, KJAC/Denver, is among the top stations in the market when it comes to listener loyalty and the station is converting over half its listeners to “favorite station” status.

Características dos formatos musicais

“Some stations had libraries of 130, 140, maybe 200 songs. Imagine that: out of all the music created over the years, it was all strained down to the safe stuff, the songs that “tested” best.
These were the only songs anyone liked. Yep! Researchers and consultants were quite sure. After all, they were tested! So stations played a select amount of songs – often – to the increasing dismay of listeners who inevitably heard those same songs on similarly formatted stations with similar names from city to city. There was no escaping it. ”
Corey Deitz, “Maybe Commercial Radio Didn’t Know JACK All These Years“, Jul 20 2005

(isto vai conduzir a novos formatos, nomeadamente ao “Jack”)