Notas introdutórias aos formatos clássicos
O que se segue nas próximas páginas é uma tentativa de conceptualização dos principais formatos de rádio nos EUA, reconhecendo que esta indústria é não só a maior mas em muitos casos (publicidade, marketing, tecnologia, legislação e também programação) a locomotiva que puxa pela restante rádio.
Mas algumas notas prévias são necessárias:
- como se verá no caso português – e não é situação única – não há uma correspondência directa entre o que é apresentado ao público, pelo menos ao nível da denominação, e os nomes clássicos destes formatos (ainda assim, como se tentará demonstrar, não são realidades antagónicas);
- nem nos Estados Unidos estas denominações são pacíficas, com sub-géneros ou variantes que introduzem confusão no próprio mercado radiofónico do país. Por um lado é importante reconhecer que os nomes em causa não são regulamentares (teoricamente cada rádio pode designar-se como quiser) e dependem de estratégias de marketing local e concorrencial, muitas vezes evoluindo em poucas semanas – ainda assim, a Arbitron reconhece-os, regista-os e isso ajuda a alguma institucionalização (sendo que se espera também algum reconhecimento por parte do público);
Se conjugarmos as duas notas anteriores, isso não conduz ao esvaziamento do projecto? Creio que não. Por um lado, não haverá uma valorização da questão, limitando-se o trabalho à enunciação das grandes famílias, esquecendo os seus derivados e sub-géneros, sem grande desenvolvimento; por outro lado, e como ficou claro em capítulo anterior, a lógica do formato não se reduz ao nome – no fundo é como se alguém avaliasse a personalidade de outro pelo seu nome.
Há uma lógica de actuação em cada formato, há uma filosofia subjacente e há sobretudo a necessidade de compreender como é que o mercado de rádio mais poderoso e concorrencial está a organizar-se em termos de programação.
