“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

A internet (podcasts) e hiper-especialização de formatos

November 12, 2005

A possibilidade de fazer o descarregamento de uma determinada rubrica ou de um determinado programa, através da internet, muito mais com o sistema RSS, que personaliza a recepção, pode ter consequências, destruindo as estruturas em que assenta a programação actualmente, os formatos como os conhecemos?

Por outro lado, sendo uma incógnita a forma como a rádio responderá aos desafios colocados pelas novas tecnologias, mais importante de todas – sem qualquer margem para dúvida – a Internet, é possível especular um pouco:
Entre várias alterações que a Internet vem provocar, uma é fundamental para a concepção de formatos: a partir do momento em que qualquer rádio que emita on line deixa de ter limites geográficos de propagação, pode concorrer no espaço total ou, pelo menos, pode chegar muito mais longe, novos públicos.
Parece que o caminho apontará para uma hiper-especialização, com cada rádio a encontrar o seu nicho de audiências, uma vez que deixará de fazer sentido a rádio generalista – os fundamentos que justificam, ainda hoje, a rádio generalista (necessidade de concentrar numa mesma programação diversos interesses para atingir diversas pessoas que de outra forma não seriam servidas) caem por terra com as incomensuráveis potencialidades da rádio na Internet: quantas rádios educativas não se podem construir online, a partir do momento em que a tecnologia esteja massificada?

Outra Europa: Espanha

En España no se da esta variedad de formatos puesto que en la oferta (…) pesa aún de forma considerable la denominada programación convencional
Música de Listas: Cadena 40, Inter-Vinilo (Madrid), Radio 16 (Madrid), Radio Club 25 (Barcelona), , Cadena 13 (Barcelona)
Pop para Adultos: Cadena Minuto, Cope FM, R. Trafic, (Barcelona)
Vintage: Radio 80 Serie Oro, Radio Salud, Ralio RKOR (Barcelona)
Música Clásica: Radio 2, Catalunya Música
Música Urbana: Radio 3
Música Española: Cadena Dial, RM-Radio (Barcelona)
(Martí: 1990: 139)

È o formato Jack um formato quase-generalista?

Alargando a play list a muito mais temas e a muitos mais géneros musicais, o formato “Jack” representa uma tentativa de ganhar já não um público específico mas vários públicos - no fundo, o regresso a uma lógica generalista.
Na definição de Josep Martí sobre uma espécie de rádio generalista, vamos encontrar semelhanças com a lógica do “Jack”: “Las emisoras de este género [radio en bloques o de variedades] no dan protagonismo a ningún estilo de música sino a toda la música en general y emiten todo tipo de programas posibles, inclusive aquellos que es difícil encontrar en formatos del mismo macrogrupo: «espacios de rock, jazz, clásica, country, R & B, palabra, comedia y programas infantiles». El más absoluto eclecticismo domina su diseño en la consideración de que son una alternativa real a los formatos de estructura cerrada y sin concesiones para hacer ninguna excepcion” (Martí, 1990: 132)

Sobre a reformatação

“El índice de inestabilidad en la antena de las diferentes fórmulas en la antena de las diferentes fórmulas es realmente alto; los cambios se van introduciendo en razón de la alteración de las condiciones objetivas de la competencia, de la demanda de la audiencia, de la presión publicitaria, etc. Todos estos elementos obligan a redefinir y reestructurar constantemente a los diferentes formatos, circunstancia que, a su vez, impide que puedan tener una estructura permanente. Estos factores, motivados por los condicionamientos impuestos por el aparato empresarial productivo, proyectan y acrecientan sobre los formatos la característica de caducidad propia de los géneros programáticos (…)” (Josep Martí, 1990: 121)

“Hosts”

Os animadores da rádio de conversa nos Estados Unidos assumem diversos nomes na gíria radiofónica.
Genericamente são os “hosts”, o que dá desde logo um sentido da sua importância. Hosts são os responsáveis pelos programas de conversa, os talkshows. Seria possível traduzir por apresentadores, mas a semântica portuguesa fica a perder.
Se estes “hosts” assumirem um papel cómico ou sarcástico, provavelmente polémico, são chamados “jocks
Os mesmos animadores da rádio musical podem chamar-se “monikers“, se personalizarem os seus espaços.
Se não tiverem nenhuma destas características são apenas “Djs”

“Call in”

Os programas que põem chamadas telefónicas de ouvintes (ou convidados?) no ar; também designados por “phone in”

“Drive in/drive out”

As horas em que muitos ouvintes de rádio vão de casa para o trabalho e, ao fim da tarde, do trabalho para casa, viajando no carro. São dois horários com características diferentes, o primeiro mais pesado em termos informativos, o segundo mais descontraído, mas com grande audiência