“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Notas sobre os formatos clássicos

November 26, 2005

Aclarar uma questão metodológica: formatos clássicos são aqueles que resultam do confronto televisivo e do novo posicionamento que a rádio teve de encontrar. Formatos que duram há quase cinquenta anos, com inúmeras variações e adaptações, mas cujo tronco comum é percepítivel.
Aliás, recorrer a modelos de programas antes do primeiro choque é uma aventura arqueológica, uma vez que, como diz Crisell, muitos desses programas morreram com a televisão: “This was the period of what were regarded as radiogenic ‘features’ programmes - programmes of a factual, often documentary, nature but partly created through imaginative scripting which blended narration, actuality, dramatic dialogue and sound effects” (pág. 25)
A televisão condenou, pois, muitos programas de rádio à morte, criando, indirectamente, outros, os que respeitam o novo paradigma: por um lado como meio secundário (“blind médium”, no dizer de Crisell) e por outro sem os recursos financeiros que desviados para a televisão. “In an age of television, Radio Luxembourg’s diet of continuous light music made much more sense, and the evidence suggests that between 1945 and 1955 radio audiences were moving (…) from the serious and demanding to the light and entertaining” (30).
A rádio chegara à segmentação e à especialização.

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