“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Aplica-se à Antena 1

December 31, 2005

“‘(…) a partir de la desregulacóñ iniciada en el periodo 80-90 y la aparición de la radio comercial en muchos países europeos, observamos cómo algunas cadenas han ido entrando progresivamente, de manera voluntaria o forzada, en el juego de la competencía y, por tanto, en la búsqueda de la mayor cantidad de audiencia a cualquier precio, aunque sea el de renunciar a determinado tipo de emisiones”
Marti Marti apud Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 31

MARTINÉZ-COSTA, María del Pilar e MORENO MORENO, Elsa, Programación Radiofónica, Ariel, Barcelona, 2004


A classificação das programações é universal (mesmo em Portugal)

“La historia de la práctica profesional del sector radiofónico ha impuesto una clasificación de las programaciones, la cual es perfectamente aplicable con independencia de cuál sea la nacionalidad de la industria que lo utiliza”
Marti Marti apud Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 29

Simulcasting

“(…) el regreso a una suerte de nuevo simulcasting, ahora bastante diferente. Ya no se trata de emitir la misma programación como se hacia antes en AM y FM, sino en adaptar contenidos y modelos para ser emitidos en diferentes soportes digitales, los cuales además ofrecen, en algunos casos, posibilidades lingüísticas y expresivas diferentes. lnternet aparece como el paradigma de estos nuevos soportes radiofónicos, al igual que el DAB”.
Marti Marti apud Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 28

Metodologia

December 29, 2005

Notas metodológicas sobre o trabalho de campo:
- cada uma das dez rádios foi analisada entre as 8 e as 12 e entre as 16 e as 20 horas, considerados horários-nobre na rádio (na verdade foram apenas nove rádios, porque a TSF tem um perfil completamente diferente e, nesse sentido, incomparável com as restantes, pelo que não foi feito o mesmo trabalho de audição crítica, desnecessário para este âmbito; a TSF não emite música entre as 8 e as 12 ou entre as 16 e as 20 horas);
- A recolha dos dados foi feita entre os dias 5 e 16 de Dezembro (excepto dia 8, feriado em Portugal, e dias 10 e 11, fim de semana), com esta ordem (aleatória, uma vez que a programação não varia substancialmente ao longo da semana - uma característica da rádio especializada):
dia 5: RFM
dia 6: Rádio Renascença
dia 7: Rádio Comercial
dia 9: Antena 1
dia 12: Cidade FM
dia 13: Antena 3
dia 14: Rádio Clube Português
dia 15: Best Rock FM
dia 16: Mega FM

- Items referenciados:
a) as músicas transmitidas (identificada, ainda que não completamente, ou não; o ano de lançamento, a língua de expressão e o género musical predominante; quando a música não foi identificada pela rádio, procedeu-se à identificação, para efeitos de catalogação geracional);
b) os slogans de cada estação;
c) o número de noticiários e a respectiva duração;

- Os resultados são apresentados em quadros relativos a cada rádio e posteriormente em quadros globais;

Jack: 25-44 anos

December 14, 2005

A empresa Paragon Medias Strategies estudou o impacto do formato JACK nos ouvintes de seis mercados norte-americanos (Denver, Dallas ou Kansas City, entre outros três).
Foram analisadas 12 rádios que aderiram a esse formato e estas são algumas das conclusões:
- 63 % têm entre 25-44 anos;
- mas os 35-44 prevalecem (36%) sobre os 25-34 (27%)
- comparando com outros formatos, a sua fatia de 25-44 é a mais elevada;
- 54% são homens e 46 mulheres
- 8% são ouvintes com idades entre 18 e 24 anos;
- 45-54 anos: 20 por cento;
Conclusões aqui: http://www.paragonmediastrategies.com/rfax/111.pdf

ACRESCENTO este dado: o formato Jack (com este ou com outros nomes, Bob’, ‘Charlie’, ‘Steve’, ‘Simon’, etc.
) aparece classificado, genericamente, como “Adult Hits“.

“Overlap” (sobreposição)

Serão uma minoria aqueles que ouvem apenas uma rádio, até pela facilidade de sintonizar as memórias digitais dos receptores. O que significa que, num mesmo dia, uma pessoa terá ouvido duas, três ou quatro estações. Isso significa uma sobreposição de auditórios, de audiências. Overlap é a palavra usada na gíria técnica norte-americana

O “jack” é o regresso à rádio generalista?

December 12, 2005

A rádio generalista, para o ser, tem de ser dirigida a diversos públicos e não apenas a um em concreto; tem de ter como pressuposto atingir o máximo de ouvintes de entre todos os que podem ouvir determinada rádio. Por isso o regresso à rádio generalista é quase impossível.
No entanto, este novo formato “jack” (e se é um formato já estamos no domínio da rádio especializada) representa um corte com a tradição de apertar cada vez mais a programação.
O assunto está a interessar os especialistas nos EUA: “The format stands opposite to the trend of personalization, where media content is tailored individually on platforms such as the iPod, Internet and digital video recorders“.
O título desta notícia da empresa de análise de médias Kagan é aliás sinal disso mesmo: “Succeeding With ‘Generic’ Radio Content Even As Media Personalization Takes Hold“. Rádio generalista, portanto.
Contudo, mais à frente pode ler-se: “The Jack is built around music appealing to audiences ages 35-44 (or as wide as 25 to 54) with hit songs from the 1970s and later“. Ou seja, é possível dizer duas coisas: este formato não é rádio generalista, mas representa uma alteração da lógica que tem imperado na rádio dos EUA (e um pouco por todo o mundo mais ocidentalizado).

A lista dos formatos (EUA)

December 3, 2005

O primeiro esboço da lista dos formatos analisados está on line, aqui.

A universidade como exemplo free-form

As rádios universitárias têm características individualizadoras, que as atiram para uma categoria à parte (são as rádios sem formato, mas não generalistas):
- dirigem-se a um público específico e definido (o universo dos que existem naquela universidade); o facto de possuírem frequências FM de baixa potencia (geralmente dos 88 aos 92 mhz) reforça essa condição; o facto de, muitas vezes, assumirem um carácter experimental (alternativo às rádios convencionais) ou mesmo elitista segmenta, ainda mais, o possível auditório (mesmo que emitam na internet);
- a sua programação é constituída por relatos de actividades (directas ou indirectas) da universidade e por contributos voluntários de alunos (que, nesse contexto, podem apresentar os espaços mais diversos);
- alguns dos espaços estão condicionados às necessidades dos alunos de jornalismo ou comunicação, que aproveitarão a rádio para exercitar funcionalidades jornalísticas ou radiofónicas (treino);
- sendo voluntários (ou temporários, por força da evolução escolar) muitos dos seus realizadores, haverá sempre um carácter de precaridade em muitos dos espaços; os programas começam com a mesma facilidade com que terminam…
- a programação, no seu conjunto, não tem uma uniformidade nem é caracterizável de acordo com um dos formatos prédefinidos (portanto, não tem um formato), antes pela diversidade de estilos, géneros e experiências;
- não é uma rádio preocupada com as audiências nem,portanto, com publicidade: tendo despesas muito baixas, pode ser financiada pela própria universidade;
- nos EUA, estas rádios são genericamente designadas por “college radio” e, numa lista de formatos, é essa a designação que aparece (embora não o possamos considerar um formato, mas mais um conceito); Existem, também, algumas rádios em escolas secundárias ou colégios, a que chamam de “Grade School” (ou “K-12″) ou “High School”, dependendo do nível escolar, mas aqui, mais do que o carácter experimental ou académico, prevalecerá a música que os miúdos que a fazem/ouvem mais gostam - provavelmente rock moderno; a designação “Student” também descreve as rádios das escolas até à universidade;