A lista dos formatos (EUA)
O primeiro esboço da lista dos formatos analisados está on line, aqui.
O primeiro esboço da lista dos formatos analisados está on line, aqui.
As rádios universitárias têm características individualizadoras, que as atiram para uma categoria à parte (são as rádios sem formato, mas não generalistas):
- dirigem-se a um público específico e definido (o universo dos que existem naquela universidade); o facto de possuírem frequências FM de baixa potencia (geralmente dos 88 aos 92 mhz) reforça essa condição; o facto de, muitas vezes, assumirem um carácter experimental (alternativo às rádios convencionais) ou mesmo elitista segmenta, ainda mais, o possível auditório (mesmo que emitam na internet);
- a sua programação é constituída por relatos de actividades (directas ou indirectas) da universidade e por contributos voluntários de alunos (que, nesse contexto, podem apresentar os espaços mais diversos);
- alguns dos espaços estão condicionados às necessidades dos alunos de jornalismo ou comunicação, que aproveitarão a rádio para exercitar funcionalidades jornalísticas ou radiofónicas (treino);
- sendo voluntários (ou temporários, por força da evolução escolar) muitos dos seus realizadores, haverá sempre um carácter de precaridade em muitos dos espaços; os programas começam com a mesma facilidade com que terminam…
- a programação, no seu conjunto, não tem uma uniformidade nem é caracterizável de acordo com um dos formatos prédefinidos (portanto, não tem um formato), antes pela diversidade de estilos, géneros e experiências;
- não é uma rádio preocupada com as audiências nem,portanto, com publicidade: tendo despesas muito baixas, pode ser financiada pela própria universidade;
- nos EUA, estas rádios são genericamente designadas por “college radio” e, numa lista de formatos, é essa a designação que aparece (embora não o possamos considerar um formato, mas mais um conceito); Existem, também, algumas rádios em escolas secundárias ou colégios, a que chamam de “Grade School” (ou “K-12″) ou “High School”, dependendo do nível escolar, mas aqui, mais do que o carácter experimental ou académico, prevalecerá a música que os miúdos que a fazem/ouvem mais gostam - provavelmente rock moderno; a designação “Student” também descreve as rádios das escolas até à universidade;
Importa, neste contexto, clarificar a questão,aliás já abordada anteriormente, quando se equacionaram as diferenças entre rádio generalista e rádio formatada: a partir do momento em que o critério distintivo para classificar uma rádio generalista é dirigir-se, num período de tempo determinado (um dia ou uma semana), a todos os públicos (ou ao máximo de ouvintes), não faz sentido considerar a rádio “free form” como sinónimo de rádio generalista - ou seja, haverá rádios “free form” que se dirigem a um público em particular.
Veja-se o caso das rádios universitárias nos Estados Unidos (ou em Portugal): o seu público é muito definido, essas rádios sabem a quem se dirigem e com quem querem falar - os estudantes universitários, seus colegas de escola (com notícias da escola, o desporto da escola…) - e a desformatação resulta mais do carácter funcional da rádio (são alunos voluntários que lá trabalham, alguns estudantes de jornalismo, com necessidade de experimentarem diversos estilos radiofónicos ou jornalísticos) do que de uma aposta “filosófica”.
Aliás estas rádios, ao assumirem muitas vezes um estilo mais “intelectualizado”, mais elitista (possível nas que não têm de se preocupar com audiências).
Fará sentido, portanto, distinguir rádios generalistas e rádios “free form” (de autor?), quando estas se dirigem a um público em concreto, embora não apliquem um formato prédefinido e caracterizável, mas uma variedade e irregularide de estilos.
Os formatos musicais nos Estados Unidos não são apenas uma forma de a rádio se arrumar tendo em vista os gostos dos ouvintes (ou seja, por segmentos de música, que por vezes não correspondem a géneros musicais, mas a zonas etárias de interesse).
Os formatos de rádio musical são mais do que uma questão da rádio. Para a indústria discográfica são importantes.
Veja-se o caso da empresa Radio & Records, que - informação do seu site, é contactada semanalmente por mais de 1500 estações de rádio informando-a dos novos temas acrescentados às suas playlists da semana seguinte.
A R&R mntém uma dezena de tabelas de temas por formatos, que vão orientando as estações associadas (são um farol essencial à sua actividade). A indústria discográfica tem nestas tabelas de “airplay” um barómetro imprescindível para, juntamente com as vendas, avaliar o sucesso de um tema, de um disco ou de um músico/grupo.
Mas a própria indústria discográfica norte-americana organiza-se de acordo com os formatos de rádio. Não todos, como é evidente, pela razão avançada anteriormente, mas na lista da Billboard é possível encontrar, por exemplo, o Top 40/AC, Hot 100, Country, Latin, etc. Falta saber se foi a rádio que se adaptou aos formatos da indústria discográfica ou se foi esta que se arrumou em função do sucesso da rádio.