“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

A universidade como exemplo free-form

December 3, 2005

As rádios universitárias têm características individualizadoras, que as atiram para uma categoria à parte (são as rádios sem formato, mas não generalistas):
- dirigem-se a um público específico e definido (o universo dos que existem naquela universidade); o facto de possuírem frequências FM de baixa potencia (geralmente dos 88 aos 92 mhz) reforça essa condição; o facto de, muitas vezes, assumirem um carácter experimental (alternativo às rádios convencionais) ou mesmo elitista segmenta, ainda mais, o possível auditório (mesmo que emitam na internet);
- a sua programação é constituída por relatos de actividades (directas ou indirectas) da universidade e por contributos voluntários de alunos (que, nesse contexto, podem apresentar os espaços mais diversos);
- alguns dos espaços estão condicionados às necessidades dos alunos de jornalismo ou comunicação, que aproveitarão a rádio para exercitar funcionalidades jornalísticas ou radiofónicas (treino);
- sendo voluntários (ou temporários, por força da evolução escolar) muitos dos seus realizadores, haverá sempre um carácter de precaridade em muitos dos espaços; os programas começam com a mesma facilidade com que terminam…
- a programação, no seu conjunto, não tem uma uniformidade nem é caracterizável de acordo com um dos formatos prédefinidos (portanto, não tem um formato), antes pela diversidade de estilos, géneros e experiências;
- não é uma rádio preocupada com as audiências nem,portanto, com publicidade: tendo despesas muito baixas, pode ser financiada pela própria universidade;
- nos EUA, estas rádios são genericamente designadas por “college radio” e, numa lista de formatos, é essa a designação que aparece (embora não o possamos considerar um formato, mas mais um conceito); Existem, também, algumas rádios em escolas secundárias ou colégios, a que chamam de “Grade School” (ou “K-12″) ou “High School”, dependendo do nível escolar, mas aqui, mais do que o carácter experimental ou académico, prevalecerá a música que os miúdos que a fazem/ouvem mais gostam - provavelmente rock moderno; a designação “Student” também descreve as rádios das escolas até à universidade;

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