“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

O excesso de música é o mesmo que publicidade?

March 12, 2006

« (…) no espaço de seis meses [abril de 1977], nas antenas da Europe 1. da R.M.-C. e da R.T.L., quinze canções totalizaram 5691 passagens, das quais 1666 para as três primeiras. A partir daqui, torna-se claro que a fronteira entre informação e publicidade foi ultrapassada” (Lavoinne, s/d: 89/90)

Lavoinne, Yves, A Rádio, Vega, Lisboa, s/d


A rádio portuguesa na década de 80

«Dos antigos tempos em que a virtude radiofónica consistia na “boa dicção e boa voz” de quem à partida fosse da situação, caiu-se hoje na atitude contrária: má dicção, má voz e, à partida, agressividade, são os elementos da nova virtude radiofónica. Eis porque o trabalho jornalístico da rádio portuguesa se, por um lado não mobiliza as populações, por outro lado parece um vígia e um vigiado apenas da hipersensibilidade das autoridades de todos os escalões. Como pano de fundo, as agências noticiosas e as editoras discográficas a cumprirem as funções de pronto -socorro», Carlos Albino (1985) in Lavoinne: s/d, 10).

Uma das razões para este estudo

não há nenhum livro ou estudo que caracterize a programação radiofónica em Portugal (seja analisando os formatos ou não); isso vai reflectir-se na ausência de bibliografia em português;