“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

As rádios parecem todas iguais

March 15, 2006

«Num quadro em que, para o público em geral, as rádios parecem todas iguais, diferenciando-se não ao nível do escalão etário ao qual se dirigem, mas ao nível dos temas musicais que se ouvem ao longo
das emissões e de alguns programas de autor que ainda resistem, as estações de rádio apostam na criação e desenvolvimento de uma imagem de marca para facilitar a identificação do público com a estação, inscrevendo-se numa lógica que é a de vincar a diferença entre produtos semelhantes,
num mercado carregado de solicitações para o consumidor e produtos iguais entre si.»
Paula Cordeiro, 8, http://www.bocc.ubi.pt/pag/cordeiro-paula-radio-portugal.pdf (consultado a 20/3/06)

a rádio não se tem orientado em função do público jovem

«Os métodos tradicionais de produção e comunicação radiofónica foram ultrapassados e a rádio não se tem orientado em função do público jovem que encontra noutros meios de comunicação, formas de criar uma comunidade virtual. Apareceram novas ofertas para os ouvintes, como os canais de música na televisão por cabo e satélite, ou a Internet. A emotividade e em parte, o sucesso da comunicação radiofónica deriva da capacidade para estabelecer uma relação afectiva com ouvinte, ao contrário da distância que se tem demonstrado ao longo dos últimos anos. Depois de uma geração de profissionais que fez da rádio um importante meio de comunicação, seguiu-se um período em que o profissional da rádio era encarado como um disc jockey, com graves consequências para a forma como se comunica na rádio. Não se têm formado pessoas nos últimos
anos que possam operar a rádio em todas as suas funções. As rádios perderam audiência não só em função da multiplicação dos meios e da modernização das formas de comunicação e acesso à informação, mas também como consequência da animação que perdeu o seu valor, não desenvolvendo a identidade da rádio».
Paula Cordeiro, http://www.bocc.ubi.pt/pag/cordeiro-paula-radio-portugal.pdf, pag 8 (consultado a 20/3/06)

A multiplicação do FM não resultou em opções de programação diferente

«É neste contexto que a rádio se desenvolve em Portugal, num panorama em que a multiplicação dos canais em FM aumentou as possibilidades de se criarem estações com programação diferente, mas tal não se verificou. A generalidade das estações não diversificou a programação, acabando por
se criar um panorama sem grande diferença entre as estações e grupos de rádios. Se compararmos os horários, verificamos que a programação segue, na generalidade das estações, o mesmo fio condutor: das seis até às dez e meia da manhã, a rádio oferece programas que intercalam a informação (nas suas diversas abordagens, conteúdos e tratamentos) com um esquema de rádio – conversa, conduzida por um grupo de profissionais, de preferência “personalidades da rádio”.»
Paula Cordeiro, http://www.bocc.ubi.pt/pag/cordeiro-paula-radio-portugal.pdf, pág 6 (consultado a 20/3/06)

No pós 74

«Face à evolução quer do meio, quer da sociedade e do sistema económico-comercial em que a rádio se integra, o formato de programação da rádio dos anos 80 cedeu lugar a outros, mais específicos, que procuram ir ao encontro de públicos cada vez mais definidos.
A profissionalização da rádio decorre da clara necessidade de adaptação do conteúdo ao público, e a consequente definição de públicos específicos para cada estação.
As noções de marketing começaram a nortear o funcionamento das estações de rádio, também no campo da produção, ultrapassando critérios de criatividade e personalidade, em função de dados específicos definidos pelos estudos de mercado e de audiência. O culto do programa de autor começou a desaparecer face a dados cientificamente comprovados que, ao apresentarem valores específicos de caracterização do público e dos níveis de audiência para cada hora do dia, permitiram a definição concreta dos conteúdos de cada estação de rádio. Mais importante do que quem e como apresenta, passa a ser aquilo que se apresenta, a música que toca e a informação que se disponibiliza,
nivelando o público por aquilo a que se chama “ouvinte segmentado” e que é definido pelos estudos de mercado, tal como em qualquer outro sector de actividade económica». (Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)

Programação antes de 74

genericamente:
«Nesta altura, a rádio servia para distrair a população, fazendo-a esquecer, ainda que
por breves momentos, da situação de fechamento a que o país estava votado. O grande objectivo da programação centrava-se na função de entretenimento, estabelecendo uma comunicação radiofónica pouco original, através de programas que procuravam acima de tudo, distrair os ouvintes dos verdadeiros problemas que afectavam a nação».

«A década de 60 viu nascer vários programas impertinentes que se aproximavam demasiado dos limites impostos pela censura. Ao longo desta década, a rádio começou lentamente a assumir um papel de divulgação da cultura. A informação passou a ser um elemento central para os programas que se especializaram em torno de temáticas tão diferentes como a informação de actualidade
ou a divulgação musical» (pág. 3)

«Os quarenta anos obstinados de um chefe autoritário chegaram ao fim, e deu-se início a um período, que embora reforçasse as restrições à liberdade, ficou para a história como a “Primavera Marcelista”. Foi neste período que se produziram programas e reportagens que marcaram a história da informação no nosso país. Eram espaços que não tinham propaganda ao regime, programas
que mostravam um certo inconformismo em relação à situação» (pág. 3).

(Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)

Transição

«Atravessamos numa fase de transição, um momento particular na rádio portuguesa, caracterizado
essencialmente pela mudança, ou pela existência de elementos que propiciam essa mudança.»
(Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)