“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

RR - conclusões

March 18, 2006

Sobre a programação da Rádio Renascença:
- Apresenta em média sete músicas por hora, embora - da parte da tarde - tenha horas preenchidas apenas com informação e a transmissão da missa;
- De manhã, sobretudo, a emissão é misturada com diversas rubricas de carácter informativo, como a metereologia, o trânsito, a bolsa e espaços de opinião (além das notícias de carácter geral e especializado).
- Tem, nas horas de ponta, notícias de meia em meia hora, e noticiários desportivos;
- Relativamente à música, a maior parte é pop, ocupando a cantada em língua portuguesa cerca de 40 por cento.
Formato adoptado: “Middle-of-the-Road” (uma vez que mistura música e notícias, mesmo de meia em meia hora, alternando música e rubricas de interesse geral, para um público adulto)

4.1 as conclusões por formatos

(avaliando as grelhas, a emissão, os seus objectivos anunciados), comparativamente (agregando o que foi dito antes, individualmente a cada rádio, na parte do trabalho de campo)

Algumas conclusões

1) Apenas em duas rádios não há compatibilização entre público e idade da música: Antena 1 e RR, curiosamente (ou não) as duas rádios com um auditório mais envelhecido;

2) Rádios que divulgam mais música actual (2000-2005):
Cidade FM 96 %
Best Rock FM 95%
Antena 3 94% *
Antena 1 72%
Mega FM 71%
RComercial 59%
RFM 57%
RR 29%
RCP 6%
Mais uma vez, a presença da Antena 1 é desproporcionada face ao rácio ouvintes-música e encontra-se à frente a Mega FM

3) Rádios para o mesmo público e com música proporcional:
Público jovem (menos de 34 anos):
- Cidade FM (96 por cento)
- Mega FM (91 por cento)
- Best Rock FM (84 por cento)
- Antena 3 (83 por cento)
- Rádio Comercial (67 por cento)
- RFM (59 por cento)
Nestes dois ultimos casos, a presença do público com menos de 34 anos é maioritária mas não esmagadora, o que abre um perfil diferente para estas duas rádios, que se podem considerar concorrentes, quando analisada a faixa 25-44 (são as únicas que têm mais de metade dos seus ouvintes nesta faixa etária):
- Rádio Comercial 53 por cento
- RFM 62 por cento

Público adulto (mais de 34 anos):
RR (89 por cento)
Antena 1 (88 por cento)
RCP (69 por cento)

* não foi uma quinta-feira (quinta dos portugueses)

A RFM

Na RFM 57 por cento das musicas transmitidas são de 2000 ou posteriores, o que pressupõe uma divisão quase aritmética: se 43 por cento do total de músicas são das décadas de 90 e 80 (sobretudo), isso corresponderá a um público mais adulto? Sim, 41 por cento dos seus ouvintes têm mais de 35 anos (sobretudo 35-54), embora - mais uma vez para manter a correspondência - seja a faixa 25-34 a mais forte na RFM, com 36 por cento.

Uma pergunta

Se é verdade que primeiro nasce a programação e só depois o público, não é menos verdade que determinadas opções do público podem obrigar uma rádio a alterar a sua programação.

Antena 1

Ao analisar a Antena 1 percebe-se a existência de uma grande dicotomia entre o perfil etário e a «idade» das músicas transmitidas.
O perfil etário: 73 por cento dos seus ouvintes tem mais de 45 anos!
As músicas: 72 por cento das suas músicas são de 2000 ou posteriores!
(Não há qualquer correspondência nem qualquer explicação lógica, apenas uma sugestão: uma aposta num novo público, reformatando?)

Rádio Clube Português

O RCP é a rádio que menos música actual divulga: apenas seis por cento dos temas registados são de 2000 ou anos seguintes. O que significa que a sua música é mais antiga: na verdade, é a única que apresenta temas da década de 60 (sete por cento) e 24 por cento têm origem na década de 70 (os restantes 60 por cento, valor maioritário, surgiram nas décadas de 80 e 90).
Comparando estes dados com o perfil etário, percebe-se - ao contrário da RR - uma correspondência quase perfeita: se apenas oito por cento têm menos de 24 anos (15 por cento têm entre 25 e 34 anos), nove por cento têm mais de 64 anos. O público do RCP é, portanto, dos 35 aos 64 anos, 69 por cento.

Mega FM

Na Mega FM 91 por cento dos ouvintes têm menos de 34 anos. Contudo, nota-se uma diferença relativamente às três rádios de perfil muito semelhante (Cidade FM, Antena 3 e Best Rock FM): «apenas» 71 por cento das músicas são de 2000 e seguintes. O que significa que, face a essa concorrência mais directa, há 30 por cento de músicas das décadas de 80 e 90 (aposta que, diga-se, não é recompensada ao nível dos ouvintes de mais idade).

Best Rock FM

Na Best Rock FM 95 por cento das músicas transmitidas foram editadas entre 2000 e 2005 (os restantes cinco por cento na década de 90), o que pressupõe uma programação virada para um público muito jovem. E o perfil etário confirma-o: 84 por cento têm menos de 34 anos. Um perfil, portanto muito idêntico ao da Antena 3.

A música faz a reformatação

tendo a análise sido feita relativamente à música transmitida (esmagadora na maior parte dos casos) e maioritária nas restantes, parece correcto introduzir alguma reserva no sentido de acrescentar que não é apenas a música que faz a reformatação de uma rádio. Mas em casos como a RR percebe-se que a música escolhida está a servir de locomotiva para uma mudança de perfil etário, «desprezando» os ouvintes mais idosos (maioritários) e introduzindo música mais recente, que agradará a um público mais jovem.