“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Dados sobre o trabalho de campo

March 21, 2006

O trabalho de campo realizado para este trabalho incidiu sobre 10 dias de emissão das 10 rádios mais ouvidas.
Ao longo de oito horas (quatro de manhã e quatro de tarde), que correspondem ao «driving time», foram registadas todas as incidências de programação, nomeadamente a proporção ocupada pela música e pelos noticiários (e outras rubricas de palavra).
Desse trabalho resulta, além dos gráficos demonstrativos, e numa primeira fase, um quadro que referencia a data da edição das músicas (muitas das músicas não são identificadas, mas procedeu-se a identificações por outras fontes; só quando essa identificação não foi possível de todo é que não foi feita - situações raras).
Desta primeira fase é possível perceber as rádios que são essencialmente musicais e as que equilibram musica e palavra.
Posteriormente, passou-se a uma segunda fase: comparou-se os dados obtidos com o perfil etário de cada rádio, de acordo com os dados do Anuário de Meios da Marktest, que concentra os únicos dados existentes em Portugal (Bareme).
Finlamente, e na perpectiva de que existem diversas rádios concorrentes a um mesmo perfil etário, analisou-se o tipo de música e a origem linguística da mesma, na perspectiva de encontrar diferenças entre elas.
(Deste trabalho de inventário excluímos a rádio TSF por apresentar um produto claramente distinto das restantes, informativo, sem música, e de fácil caracterização ao nível dos formatos)

Como diferenciar músicas do mesmo «target»

Um dos objectivos deste trabalho, paralelos ao objectivo central, é perceber quais os factores que fazem a diferenciação nas diferentes rádios.
A segmentação fazia-se em função de diferenças etárias mais ou menos claras: uma rádio para jovens outra para jovens-adultos e uma para adultos (15-24 anos; 25-44; e mais de 45 anos, respectivamente). Se as distinções nunca são perfeitas, porque há elementos de confluência e de inter-penetração, o panorama parecia arrumado.
Mas o aparecimento de rádios, dentro do mesmo universo empresarial, a disputar essas faixas etárias, terá obrigatoriamente de significar que, mais do que a idade, conta a diferenciação do produto oferecido (tipo de música, por exemplo) ou que essas agregações etárias são demasiado vastas e que é possível encontrar subnichos por exemplo entre os 15-25 ou entre os 25-34).
Traduzir-se-á numa maior oferta?

Mais notas

A partir do momento em que o trabalho de campo foi realizado em Dezembro de 2005, os dados mais actuais do Anuário de Meios da Marktest (que condensa um ano de Bareme) são os de 2004. Os quadros comparativos foram realizados com os valores de 2004.
Os dados de 2005 apenas foram disponibilizados no final do trimestre de 2006 e - uma análise posterior - demonstra a inexistência de alterações significativas.