“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

As 8 horas

April 1, 2006

A escolha de oito horas obedece a critérios lógicos de adequação dos objectivos às possibilidades físicas: uma análise como a que foi feita (com registo ao segundo), implica uma devoção completa à emissão, ainda por cima durante dez dias (e como, por exemplo, muitas das músicas transmitidas não são identificadas, sendo que essa identificação era fundamental para o trabalho, foi preciso posteriormente, através de outros meios apurar a identidade dessas músicas). É certo que, contabilisticamente, elas representam um terço da emissão, mas essas são as oito horas indiscutivelmente mais importantes para as rádios, quer a nível de audiência quer de emissão publicitária.
A questão deve pôr-se não ao nível da escolha de outro bloco (por exemplo 12-16 em vez de 16-20) mas se haverá , noutros horários, ainda que menos relevantes, perfis de programas tão diferentes que pudessem remeter para públicos também diferentes, alterando a classificação do formato? Por um lado, essa constatação seria sempre contraditória a própria lógica de formato e, depois, sempre minoritária. Mas, além de escutas anteriores e posteriores para verificar essa realidade, junta-se à análise um dado incontestado: os perfis etários (e se necessário sócio-económicos) dos ouvintes ajudam a traçar o perfil e o formato.

analisar as grelhas

?????Este trabalho não se propõe analisar as programações de acordo com as suas estruturas (com a forma como estão desenhadas, como estão construídas), seja numa análise de blocos ou mosaico seja nas horas-relógio, porque as fronteiras estão muito diluídas: «la realidad cotidiana a la que antes aludíamos revela que ambas posibilidades conviven a menudo en una misma parrilla, sobre todo en las especializaciones musicales, que recurren a una fórmula en las franjas centrales de emisión, y reservan para horarios residuales (tarde-noche y/o madrugada) espacios complementarios. A este tercer modelo, una versión matizada de la fórmula pura, se le llama fórmula con tendencia temática» (ESteban, 2000: 154).
A partir do momento em que, como se verá, o elemento decisivo de avaliação não é a estruturação (a forma como estão dispostos) os programas ou conteúdos, mas os próprios conteúdos que ali existem, uma análise das estruturas será irrelevante. Por outras palavras, não é necessário para uma caracterização de formatos, analisar se determinada rádio tem uma construção de hora-relógio ao longo de 24 horas ou só nos dois horários de viagem (driving time). Importa, antes, saber que tipo (ano de edição, nomeadamente) de música passa e quem a ouve.

Pedrero Esteban, Luis Miguel, La radio musical en España - Historia y análisis, IORTV, Madrid, 2000


avaliar a diversidade cultural

Sendo um objectivo compleamente segundário, é possível através das conclusões a que se chegarem ter uma ideia mais concreta sobre a diversidade cultural proporcionada pela rádio portuguesa - a eventual diversidade de formatos será um sinónimo de diversidade cultural?
Segundo a Unesco, «A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza» (artigo 1 da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, http://www.unesco.org.br/publicacoes/copy_of_pdf/decunivdiversidadecultural.doc, consultado a 1/4/06)