“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Uma classificação anacrónica

May 17, 2006

(para trabalhar a questão na introdução:

Porque não têm problemas de emissão é que as rádios nacionais nunca se preocuparam em requerer alteração do estatuto de programação – ou seja, apenas aquelas que têm uma base local é que se movimentaram nesse sentido, para ganharem dimensão e chegarem, principalmente, a Lisboa e ao Porto.

Isto faz com que, à luz destes pressupostos legais, haja, entre as 10 rádios do nosso universo:

- cinco rádios generalistas (as cinco nacionais, mesmo quando exclusivamente musicais, como a RFM, Rádio Comercial ou Antena 3, além da Antena 1 e Rádio Renascença);

- cinco temáticas (quatro musicais, Capital, Mega, Rádio Clube Português e Best Rock FM , e uma informativa, TSF);

Ora, como qualquer ouvinte mais desatento perceberá, se a classificação das rádios temáticas, musicais ou informativas, corresponde genericamente ao que se ouve, já quanto às rádios generalistas estamos perante um evidente anacronismo, que tem uma base jurídica – a Lei classifica umas mas esquece as outras (e também não contempla a hipótese de existirem rádios de conteúdo misto, palavra e música).

Uma classificação das ditas rádios generalistas mais de acordo com aquilo que é a sua programação e o enquadramento das que vierem a ser classificadas, realmente, como temáticas são os dois objectivos do «trabalho de campo» que se segue.

A rádio musical em Portugal vale mais de 70%

March 25, 2006

Somando os valores da audiência (2004, ANuário de Meios da Marktest) das sete rádios mais ouvidas com uma programação claramente musical em Portugal, temos:
RFM 13,5%
Comercial FM 6,9%
Cidade FM, 3,9 %
Antena 3 3,7 %
RCP 3,6%
Best Rock FM 1,5%
Mega FM 1,5 %
ToTAL: 34,6
(faltam: RR 10,9%, TSF 5,0 e Antena 1 4,1 - que totalizam 20 %)
Sendo que as 10 rádios mais ouvidas representam 54,6 da audiencia acumulada de véspera. A restante audiência pertence a rádios locais ou a cadeias mais pequenas.
COnsiderando que não existem mais rádios de informação (como a TSF) ou em que a palavra tenha um peso expressivo (como a RR ou Antena 1, sempre superior a 40 %), pode deduzir-se que a rádio musical terá uma audiência em Portugal de 80 a 70 %.

Estes dados ganham mais expressão se se acrescentar que «el formato musical es estrategia de programación prioritaria de la radio comercial europea, disponiendo de una notable aceptación entre los oyentes, donde en algunos países como España, Francia o Italia, su seguimiento alcanza entre el 34% y el 30% del total de audiencia radiofónica» (Moreno, Elsa, «La radio de formato musical: concepto y elementos fundamentales», Comunicación y Sociedad, Volume XII, nº 1, 1999, pág. 90)

Uma pergunta

March 18, 2006

Se é verdade que primeiro nasce a programação e só depois o público, não é menos verdade que determinadas opções do público podem obrigar uma rádio a alterar a sua programação.

Caracterização da rádio portuguesa de acordo com a sua programação


As rádios parecem todas iguais

March 15, 2006

«Num quadro em que, para o público em geral, as rádios parecem todas iguais, diferenciando-se não ao nível do escalão etário ao qual se dirigem, mas ao nível dos temas musicais que se ouvem ao longo
das emissões e de alguns programas de autor que ainda resistem, as estações de rádio apostam na criação e desenvolvimento de uma imagem de marca para facilitar a identificação do público com a estação, inscrevendo-se numa lógica que é a de vincar a diferença entre produtos semelhantes,
num mercado carregado de solicitações para o consumidor e produtos iguais entre si.»
Paula Cordeiro, 8, http://www.bocc.ubi.pt/pag/cordeiro-paula-radio-portugal.pdf (consultado a 20/3/06)

Transição

«Atravessamos numa fase de transição, um momento particular na rádio portuguesa, caracterizado
essencialmente pela mudança, ou pela existência de elementos que propiciam essa mudança.»
(Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)

Um assunto mal estudado

August 30, 2005

Se a rádio, genericamente, não gerou muita bibliografia científica, muito menos isso aconteceu à parte da programação e aos modelos de produção, sobretudo pelo seu carácter provisório, transitório. “Sistematizar los aspectos conceptuales de los programas, sus regularidades y sus características textuales constituye un ejercicio difícil y arriesgado al que la realidad cotidiana de los medios radiofónicos confiere siempre un aire de provisionalidad”, Martí i Martí, Josep Maria, Modelos de programación radiofónica, Feed-Back Ediciones, 1990, pág 13

Definição do conceito de programação

“ Un complejo fenómeno comunicacional mediante el cual se definen, seleccionan, ordenan y estructuran los programas como unidades básicas de la emisión radiofónica, atendiendo a un conjunto de condicionantes entre los que destacan los factores económicos, los factores de producción, los factores creativos y las audiencias”, Emili Prado apud Martí i Martí, Josep Maria, Modelos de programación radiofónica, Feed-Back Ediciones, 1990, pág 10

A programação

“La programación [es] una herramienta de primera magnitud (…)”, Emili Prado apud Martí i Martí, Josep Maria, Modelos de programación radiofónica, Feed-Back Ediciones, 1990, pág. 9

Introdução 1

August 18, 2005

A rádio que temos” é um blogue de trabalho. Tem um objectivo muito bem definido e um prazo de validade também concreto: pretende apoiar o trabalho de investigação que irei fazer este ano lectivo no âmbito do doutoramento na Universidade de Vigo.

O trabalho em causa é uma análise das principais rádios portuguesas, ao nível dos formatos que apresentam, suportada pela teoria dos géneros de programação.

A ideia essencial do trabalho é esta: a tecnologia e a música digital ameaçam a rádio que temos, a rádio tal como a conhecemos hoje (e que não é muito diferente - ao nível de formatos - daquela que se faz desde a explosão da televisão - 50 anos sem grandes novidades). Agora, pelo contrário, há mudanças em perspectiva.

Os desafios que tecnologia e a música digital apresentam à rádio que temos é o tema global do meu trabalho de doutoramento (que vai seguindo aqui). Mas como quero centrar a análise na rádio portuguesa, o trabalho (obrigatório) de segundo ano centrar-se-á na rádio que temos em Portugal.

A rádio que temos em Portugal está demasiado presa à música. Assim, sem grandes análises, das cinco rádios mais ouvidas por cá (RFM, RR, Comercial, TSF e A1) duas são essencialmente musicais, duas muito musicais e apenas uma assenta na palavra. Se acresentarmos outras rádios muito ouvidas em Portugal (Cidade FM, RCP ou Antena 3) o panorama ainda se desequilibra mais a favor da música.

Ora - parece-me - é a rádio de formato essencialmente musical (sobretudo a que assenta em play lists, a chamada música comercial, feita de sucessos mais ou menos recentes) que está mais ameaçada por esses novos desafios. Se os pressupostos em que assenta a minha investigação estiverem certos, daqui a 10 anos a rádio que te(re)mos em Portugal será muito diferente. Como será? Não sei, mas daqui a alguns anos espero ter uma resposta (mesmo prospectiva).

O trabalho deste ano pretende ser uma caracterização da rádio que temos, do geral para o particular (os tais formatos). Quando tiver essa caracterização o trabalho final estará melhor suportado.
Até daqui a um ano…