“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

O ataque da televisão

October 15, 2005

A rádio que resulta da explosão da televisão, a partir da década de 60, é marcada por diversos desenvolvimentos tecnológicos (o transístor, que permite a miniaturização, ou a banalização do FM), pelo crescimento do próprio meio (nascem mais rádios, sejam privadas, no caso dos EUA, estejam ainda sob controlo dos estados, na Europa) e pela concorrência directa da televisão, que se consolida pelo menos em todo o hemisfério ocidental. A presença da televisão não se limita a ocupar o mesmo público que antes ouvia rádio (além de trazer públicos novos) e o mesmo espaço de atenção. Também vai procurar à rádio os seus principais nomes e ainda a publicidade.
A rádio reage, para não morrer, e numa espécie de movimento conjugado – até porque, como se disse, há cada vez mais rádios – especializa-se, à medida que se vai libertando dos monopólios estatais (em muitos países da Europa isso só acontece nas décadas de 70 ou 80, caso de Portugal, numa altura em que o espectro já oferece alternativas à margem da lei).

Outro modelo de organização

October 8, 2005

Uma caracterização do sector rádio em qualquer país passará sempre por estabelecer uma grelha de arrumação, assente em qualquer critério. Neste caso, estamos a usar o da propriedade/financiamento.
Ora isso torna-se complicado se não existir uma arrumação (regulamentação?) do sector ou se, como se verifica comparando diversos países, existirem diferentes prioridades.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, o sector divide-se entre a BBC (serviço público) e estações comerciais, com uma única subdivisão (entre rádios locais e nacionais). Todas estas rádios podem transmitir de uma forma analógica (em Onda Média, Frequência Modulada) ou digital (até finais de 2004 apenas o DAB).
Esta divisão, contudo, ignora as rádios transmitidas por satélite, as rádios de comunidade e as rádios de serviço restrito que existem naquele país.

Negócio

September 4, 2005

A questão dos formatos está intimamente ligada ao conceito (ambição) da rádio como negócio. Audiências, concorrência, publicidade, são questões que obrigam a rádio a organizar-se de forma diferente, depois da segunda guerra mundial.

A especialização

August 30, 2005

A rádio que temos hoje caracterizou-se, antes, por se dirigir a um público heterogéneo e indiferenciado. Hoje especializou-se, “más allá de lo logrado por cualquier outro medio de masas. Una especialización que se fundamenta en los contenidos, pêro también en determinadas franjas horarias, o en determinadas coberturas. Con esta estratégia se consigue satisfacer cada vez a grupos más reducidos y por tanto más homogéneos de oyentes”, Martí i Martí, Josep Maria, Modelos de programación radiofónica, Feed-Back Ediciones, 1990, págs. 10-11