“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

O ataque da televisão (1)

October 16, 2005

«La primera consecuencia del nacimiento de la televisión fue el descenso vertiginoso de las cadenas de radio [nos Estados Unidos]. Esta caída de las cadenas obedeció a una razón: la televisión, sin duda porque sus propietarios y protagonistas (locutores, showmans, programadores, directores, etc.) eran los mismos, imitó la programación y la estructura de la radio con la ventaja de ser un medio más completo (imagen y sonido), y más interesante, tanto para las empresas de comunicación como para el público» DÍAZ MANCISIDOR y URRUTIA, V. La nueva radio, SEUPV, Bilbao, 1986, págs. 30-31 apud Martí i Martí, pág. 67.
Este facto provocou um aumento do impacto das rádio locais, numa lógica de proximidade com as populações, muito embora as cadeias de emissão nunca tenham desaparecido.
Já na Europa, sobretudo continental, a rádio mantinha-se na esfera do poder político e as rádios locais tardaram muito a afirmarem-se.

Cinco tipos de rádio

October 5, 2005

A rádio que temos, a que resulta do primeiro choque (televisivo) organiza-se de várias formas não a nível de conteúdos mas de estatuto ou de objectivos a que se propõe.
Seguindo David Hendy (14), é possível distinguir cinco modelos de financiamento (e assim se percebem também as suas motivações):
- rádio estatal (aquela que é propriedade e usada pelo estado em qualquer país)
- rádio livre (“underground radio”)
- rádio comunitária
- rádio de serviço público
- rádio comercial

Algumas são de fácil caracterização, como a rádio comercial, que vive da publicidade para se financiar; também a rádio comunitária tem uma explicitação simples (rádios, geralmente de pouca potência, sem objectivos lucrativos, que se destinam a um grupo muito definido, um bairro, um hospital, uma universidade). Já a designação de rádio livre remete para o universo das emissoras piratas (não legalizadas), que ainda são frequentes em muitos países, mesmo industrializados, um pouco ligadas a fenómenos de contra-cultura. Hendy refere o fenómeno das micro-rádios nos EUA como uma evolução deste tipo de emissoras (“… small, sometimes one-person operations using very low power transmitters the size of a brick and costing perhaps no more than $1,000 to reach a handful of neighbourhoods”, Hendy, pág.15). A rádio na Internet é uma evolução, também, da rádio livre, uma vez que está desregulamentada.
Restam as rádios estatais e as de serviço público – e aqui as diferenças não são tão óbvias.
Considere-se primeiro a rádio estatal como aquela que, sendo propriedade de um governo, é usada por ele como instrumento de propaganda, não necessariamente ideológica. É uma rádio de características oficiais, sem publicidade comercial, obrigatoriamente financiada pelo governo – existe, nestas circunstâncias, em países de regime ditatorial, partido único, ou em países muito pobres, onde a publicidade não viabilizaria a propriedade privada (há também que considerar, como faz Hendy, os serviços transnacionais de rádio, como a BBC World Service ou a RDP Internacional, que tendo um carácter oficial estão desideologizadas e não oferecem actualmente um serviço propagandístico).
Já a rádio de serviço público até pode não ser propriedade do Estado (uma fundação ou uma associação privada, por exemplo), muito embora na maior parte dos casos seja.
Depois varia a forma como se financia: apenas com receitas vindas do Estado ou com recurso a publicidade (ou a uma taxa)?
O que não varia tanto é a lógica de programação: não deverá estar sujeita às regras concorrenciais, nem preocupada com as audiências, incluindo na sua programação conteúdos que reflictam a cultura e a diversidade do país. Nas rádios de serviço público propriedade do Estado há em muitos casos a preocupação de criar entidades “independentes” que nomeiam as suas direcções, para evitar uma dependência directa do poder. Para Hendy, “Public-service radio differs from state radio in being institutionally insulated from direct government control, though still usually dependent on the state for most of its financing” (pág. 17)

55 minutos ao volante (EUA)

September 21, 2005

Tied to listening to the same stations for the most part, data gathered over the last five years reveal little change in where people listen to the radio. The lone shift here has been a steady climb in car listening over the past five years. Why? The most likely explanation is cultural. People are driving more. Data from the Department of Transportation’s Bureau of Transportation Statistics indicate that the average driver spends 55 minutes behind the wheel every day“. (nota: 2. The statistics bureau does not have trend data on this figure. But its data do indicate that that 87 percent of people use their personal vehicle, as opposed to public transportation or some other mode of travel, when making daily travel. Daily travel, as the bureau defines it, includes commuting, shopping and errands and social or recreational trips (visiting friends, relatives, etc.). )

À procura de uma identidade, depois da guerra

September 4, 2005

Las distancias se agudizaban porque mientras en EE.UU. la radio era una industria cultural con enorme peso específico, en el viejo continente se hallaba atenazada por un control estatal que, salvo algunas excepciones, no permitía el desarrollo de la radio privada. Paralelamente a este hecho, el nuevo medio, la televisión, también frenaba su expansión al estar configurada como monopolio estatal.” (Martí i Martí, pág. 23).
O peso da TV reflectia-se também na duplicação dos modelos de sucesso da rádio:
La televisión, en ascenso fulgurante, tomaba prestados de la radio los rgeneros programáticos más consolidados (sobre todo los de variedades), sus realizadores-estrella, su público y, también, su publicidad” (Martí i Martí, pág. 23)
A rádio precisava de responder. E fê-lo com a opção pela especialização programática das emissoras. “Se trataba de una respuesta estratégica del discurso de los emisores destinada a hacer frente a la crisis de la competencia externa y a la del propio medio, a la par que reestructurar los aspectos productivos, limitados por la fragmentación de las audiencias y la disminución de la publicidad” (pág. 23)

A resposta tecnológica da rádio no pós guerra

FAUS BELAU, A. La radio. Introducción a un medio desconocido, Latina Universitária, Madrid, 2ª ed., 1981, pág. 83: “(…) el hecho que técnico que revoluciono la radio en los años de los posguerra fue la aparición del magnetófono (…)”; “La generalización de este procedimiento dio lugar a un buen número de câmbios en la estructura de trabajo de las emisoras, y principalmente de las cadenas radiofónicas”. Ao magnetofone junta-se pouco tempo depois (1948), o disco em vinil de 78 rotações, já com mais facilidade de gravação e reprodução. E como lembra Marti i Marti mais três contribuições tecnológicas surgem naquela altura para tentar tirar a rádio da crise de identidade em que se encontra: a aplicação de pilhas nos receptores, o desenvolvimento do FM e a invenção do transístor (Modelos de Programacion… 21). Sem grande sucesso, segundo este autor: “Los avances tecnológicos no conseguierion disimular una profunda crisis de identidad del discurso radiofónico, que no podía ya vincularse solamente a la excepcionalidad informativa de la guerra” (pág. 21)

Heranças da televisão

August 30, 2005

Se a televisão processou uma série de transformações na rádio, também não poderia deixar de o fazer ao nível da programação. Um exemplo: diversos modelos/conteúdos que agradaram aos ouvintes da rádio até finais da década de 40 mostram-se hoje desajustados. É o caso do teatro radiofónico (“soap opera” nos Estados Unidos ou “radiodrama”), um género claramente visual, que existia na rádio com sucesso, mas que migrou para a televisão e hoje é uma raridade (BBC?)