“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Diferenças entre generalistas ou especializadas

October 22, 2005

Definir uma rádio especializada é fácil: distingue-se por apresentar um modelo monotemático, perfeitamente identificado, ao longo das 24 horas de emissão (nem que seja com recurso a repetições). São rádios que surgem na lógica de segmentação, dirigidas a um público muito bem definido, que a rádio não hesita, ela própria, em invocar ou definir. Para concretizarem esses objectivos tão precisos, as rádios especializadas recorrem à importação ou à criação de um formato que pretende corresponder aos gostos/desejos do público-alvo (seja numa opção de repetição de fórmulas em horas-relógio, musicais ou informativas, seja naquilo que Josep Martí chama de rádio temática – com recurso, portanto, a diversos géneros ao longo de um mesmo dia).
Já a definição de rádio generalista, podendo fazer-se por oposição, não permite uma duplicação, uma vez que se trata de uma solução muito vaga e, mesmo, indefinida. De acordo com o sítio do Ministério da Educação e Ciência espanhol, “El modelo generalista, al que también se le conoce con otras denominaciones como convencional, total o tradicional, es aquel al que pertenecen todas aquellas emisoras que explotan distintos contenidos y, por tanto, ofrecen espacios variados (informativos, musicales, deportivos, culturales, etc.).”
Embora pareça que o modelo generalista está em desuso, é forçoso reconhecer que também ele evolui~u. Longe vão os tempos em que se “solía seguirse el principio de la dosificación equilibrada según la consideración tradicional de las funciones de los medios de comunicación, es decir: 30°/0 de contenidos informativos, 30% de entretenimiento, 30% de contenidos culturales y educativos y el resto se repartía entre estos o bien se incorporaban los contenidos persuasivos: publicidad, propaganda y autopromoción” (Cebrián Herreros, M. 1994. Información radiofónica. Mediación técnica, tratamiento y programación. Madrid: Síntesis, págs. 420-421)

Se a rádio generalista, por se dirigir a um público diverso, com recurso a géneros diversos e a conteúdos diversos, é inclassificável (é “tudo”), a não ser como generalista, a rádio especializada também o é apenas se a considerarmos com um todo.
Na verdade, a rádio especializada abre-se em múltiplas sub-especializações com conteúdos predeterminados. São os formatos, quase sempre de características monotemáticas.
Apesar de haver quem, como Cebrián Herreros, distinga a especialização de conteúdos da especialização por “los tratamientos o formatos peculiares de la programación” (pág. 426), a realidade mostra que estamos perante a mesma coisa – todas as rádios especializadas são formatadas, ainda que isso não signifique importação de um modelo pré-concebido (a formatação é uma atitude de direcção de programação, de gestão dos conteúdos radiofónicos).
Aliás, este autor dá como exemplos de rádios especializadas num determinado conteúdo a Rádio Salud, de Barcelona ou a Rádio Santa María, de Toledo. Mas basta analisar a grelha de programas desta última, por exemplo, para perceber que se trata de uma rádio altamente formatada, programada ao minuto, sem espaço para a criatividade de quem lá trabalha ou destinada a surpreender quem a ouve.

As rádios mistas. Algumas rádios, porém, sobretudo rádios mais pequenas, caracterizam-se por vezes por utilizarem, na sua programação, os fundamentos dos dois conceitos: em determinadas horas têm uma programação mais convencional, com entrevistas, passatempos, humor, musica, notícias, e noutras reproduzem apenas uma play list. São modelos mistos (ou híbridos), que devem ser sempre considerados.

Modernas e antigas

October 8, 2005

La evolución de la radio, desde la aparición de la FM, ha consagrado el desarrollo de las radios llamadas temáticas, por oposición alas radios más antiguas llamadas generalistas
Aurora Garcia in “La Idea frente a la Técnica: el Valor de la Persona en la Radio Digital