“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Sobre a reformatação

November 12, 2005

“El índice de inestabilidad en la antena de las diferentes fórmulas en la antena de las diferentes fórmulas es realmente alto; los cambios se van introduciendo en razón de la alteración de las condiciones objetivas de la competencia, de la demanda de la audiencia, de la presión publicitaria, etc. Todos estos elementos obligan a redefinir y reestructurar constantemente a los diferentes formatos, circunstancia que, a su vez, impide que puedan tener una estructura permanente. Estos factores, motivados por los condicionamientos impuestos por el aparato empresarial productivo, proyectan y acrecientan sobre los formatos la característica de caducidad propia de los géneros programáticos (…)” (Josep Martí, 1990: 121)

Formatar sem ter uma noção precisa

November 7, 2005

Os sistemas actuais de medição de audiências em rádio variam entre as entrevistas aleatórias, ainda que representativas da amostra nacional, como é o caso de Portugal, e o sistema de “diário” (uma amostra pré-seleccionada preenche diariamente uma folha de um caderno, dando conta da rádio que ouviu e quando ouviu).
É fácil de perceber que estamos perante sistemas baratos mas sem rigor, aproximativos, que não permitem leituras diárias ou semanais (nos Estados Unidos, como em Portugal, a Arbitron faz como a Marktest, quatro leituras anuais). Não admira, também, que anunciantes e as próprias rádios já tenham contestado diversas vezes os sistemas vigentes – até pelo contraste com a audimetria.
Também por causa disso, têm sido anunciados alguns sistemas de medição electrónica, com especial destaque para o “Portable People Meter”, da Arbitron (uma pequena caixa que se transporta no bolso ou ao cinto e que identifica e regista as rádios que vão sendo ouvidas; ao fim do dia esse aparelho faz a descarga para a central, sempre sem qualquer intervenção humana).
Prometido diversas vezes, nos últimos anos, tem agora lançamento comercial marcado para 2006. O que tem atrasado o seu desenvolvimento não se sabe (fala-se na dificuldade de conseguir jovens que o transportem); sabe-se, isso sim, que nos EUA já foram feitos, pelo menos, dois grandes testes, o primeiro em Filadélfia, em 2002, e o segundo, este ano, em Houston. E que estas duas cidades serão as primeiras a experimentar comercialmente o PPM – um dos grandes operadores de rádio dos EUA, a Clear Channel, desesperada com os atrasos, prometeu avançar sozinha com um sistema alternativo, tendo desafiado outros construtores a candidatarem-se.
Dos testes feitos até agora algumas ideias podem ser sistematizadas:
- afinal ouve-se menos rádio do que a estimativa existente (que era de 15 horas e 15 minutos por semana, contra as 10 horas e 45 minutos apuradas agora);
- há mais gente a ouvir rádio do que se pensava (93 por cento contra os 86 anteriores);
- os ouvintes de rádio ouvem duas vezes mais estações do que aquilo que se sabia;
(principal fonte:Kafka, Peter, “Is Radio’s signal getting stronger?”, Forbes, 20/09/05)

A reformatação na GB

October 8, 2005

Ao contrário dos EUA, onde em 24 horas uma estação pode mudar de formato, na Grã-Bretanha, aquilo que lá também chamam de “estilo” de cada rádio está regulamentado e depende de uma autorização da autoridade estatal Ofcom para poder haver alteração.
Como dá conta o relatório “The Communications Market 2005” (pág. 39), em 2004 apenas uma estação de rádio o fez em todo o país!
Under section 106(1) of the Broadcasting Act 1990, Ofcom is required to include conditions in each analogue local commercial radio licence that ensure that the character of the service, as proposed in the station’s application, is maintained during the licence period.
Ofcom meets this requirement by means of a Format, which includes a description of the character of the service (the output and the audience at which it is targeted) and supporting detail on how much of the service will be produced and presented locally (i.e. from a studio in the licence area), and the specific type(s) of music and speech output to be provided.
Formats help Ofcom to meet its general statutory duty to secure “the availability of a wide range of television and radio services which (taken as a whole) are both of high quality and calculated to appeal to a variety of tastes and interests” (section 3(2)(c) of the Communications Act 2003).
Format changes either happen as an outcome of a section 355 review (following a change of control) or following a request from a licensee. 33 licensees were permitted changes to their formats during 2004. Most of these involved schedule changes, although one involved a complete change to the station Format. In December 2004, Sunrise Radio was given permission to change the Format of one of its AM London stations from a country music station “Easy 1035” to an Asian talk station “Kismat Asian Talk Radio
”.”
(fonte: http://www.ofcom.org.uk/research/cm/cm05/radio.pdf)

O tempo de duração de um formato

Uma das características destes formatos novos é a sua curta existência, rapidamente substituídos por outros na mesma rádio.
A reformatação é uma ideia sempre presente, mal as audiências começam a indicar uma quebra no interesse dos ouvintes ou se o conceito utilizado não vingou.
Com recurso a muita criatividade, marketing, produção, etc, um formato pode durar no máximo dois anos.
(este assunto é abordado aqui)

O que fazer para reformatar

October 1, 2005

Every format follows a complex set of rules for programming, including the style and range of music selections, size and origin of playlist, quotas for musical repetition, relative numbers of current and past hits and their usual sequence, conventional relationships between music and speech and so forth. A major change in any of these is inconceivable without a subsequent change in all of them and in the relationships amongst them. For instance, a switch from Middle of the Road (MOR) to contemporary hit radio (CHR) would demand a smaller playlist with higher weekly rotation and faster turnover of hits, and above all, a successful transition to new sources of advertising revenue for the less affluent but presumably larger market”. (Berland, J. 1993: Radio Space and Industrial Time: The Case of Music Formats. In S. Frith et at (eds), Rock and Popular Music: Politics, Policies, Institutions. London: Routledge, pág 104-18 apud HENDY, David, pág. 99).