“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

A indústria musical não precisa da rádio?

February 12, 2006

“Las zonas fronterizas entre los consumos radiofónicos y musicales anteriores estaban claros, pero con Internet es imposible ya que tales fronteras desaparecen y emerge una red de búsquedas y de interrelaciones entre lo que antes aparecía por separado. Cada oyente lo vincula a su gusto. Tal vez lo que esté emergiendo sea otra cosa, un nuevo consumo de sonidos musicales y de informaciones sonora que se separan claramente de los modelos tradicionales. Por esta razón no conviene cerrar las limitaciones ni los conceptos hasta que los comportamientos de los usuarios y las implantaciones de tales consumos se definan a su vez. Lo que está claro es que asistimos a renovaciones transcendentales independientemente de que las llamemos de una manera o de otra.” (Cebrián Herreros, 2001: 120)

Payola atinge centenas de estações

February 11, 2006

Payola Investigation Includes “Hundreds Of Radio Stations”
ABC News reports that the FCC is investigating hundreds of radio in the latest pay-for-play payola investigation by initiated by New York Attorney General Eliot Spitzer. Commissioner Jonathan Adelstein told ABC News that “the FCC staff is working with voluminous evidence right now. It’s a complicated and wide-ranging investigation.”

Adelstein added, “This is potentially the most wide spread and flagrant violation of FCC rules in the history of American broadcasting. We’ve never seen evidence of such a systematic betrayal of the responsibility of broadcasters.”

Música e rádio: desde a origem

February 9, 2006

“As vehicles for bringing music to the masses, radio and records were born within a few years of each other, shortly after the end of World War I. From the start, there was a tension between the joy of being able to hear whatever music we wanted and the passion to discover new sounds that radio stations magically delivered through the air.”
(Rediscover the serendipity of radio, By Marc Fisher, The Washington Post, Saturday, February 4, 2006 - 12:00 AM)

O efeito negativo dos computadores

February 5, 2006

“There is a continuing debate on the effect systems like Selector are having on radio with some critics saying they contribute to a uniformity of output (see Barnard 2000: 132) but Dick Stone at Trent FM disagrees. ‘I think Selector can take away some of the spontaneity of radio if it’s in the wrong hands. I think in the right hands it can actually make t more effective,’ he says. ‘We hire people to transcend the format - they still do the format but they don’t make it sound as if they’re doing it that’s their skill. We don’t hire them [presenters] to pick the music because they’re not hired for their great music knowledge - they’re hired to entertain and find something interesting to say.’ (Fleming, 2002: 56)

Transformações na industria musical

January 14, 2006

” (…) la promoción y la venta de música on line se ha disparado en el útimo año. El paradigma digital está modificando la estructura de industria musica al incrementar y simplificar los procesos de reproducción musical y está dando lugar a formas autónomas de distribución. La distribución de música a través de la Red con el sistema MP3 y el más que paradigmático fenómeno Napster han sacudido profundamente la industria tradicional del disco. (…) También desde el punto de vista de la recepción, el paradigma digital amplia la posibilidad del consumidor para manipular el sonido, programar la reproducción y realizar copias de alta fidelidad. Esto se traduce desde los años 80 en formas más individualizadas de consumir música, incremenlando la interactividad y ampliando los canales de exhibición musical. (…) Esta situación lleva a las emisoras musicales a replantear su estrategia de programación, ya que pierden la exclusividad de la difusión masiva de música. ”

MARTINÉZ-COSTA, María del Pilar e MORENO MORENO, Elsa, Programación Radiofónica, Ariel, Barcelona, 2004 , pág 342

As tabelas de vendas e a rádio

December 3, 2005

Os formatos musicais nos Estados Unidos não são apenas uma forma de a rádio se arrumar tendo em vista os gostos dos ouvintes (ou seja, por segmentos de música, que por vezes não correspondem a géneros musicais, mas a zonas etárias de interesse).
Os formatos de rádio musical são mais do que uma questão da rádio. Para a indústria discográfica são importantes.
Veja-se o caso da empresa Radio & Records, que - informação do seu site, é contactada semanalmente por mais de 1500 estações de rádio informando-a dos novos temas acrescentados às suas playlists da semana seguinte.
A R&R mntém uma dezena de tabelas de temas por formatos, que vão orientando as estações associadas (são um farol essencial à sua actividade). A indústria discográfica tem nestas tabelas de “airplay” um barómetro imprescindível para, juntamente com as vendas, avaliar o sucesso de um tema, de um disco ou de um músico/grupo.
Mas a própria indústria discográfica norte-americana organiza-se de acordo com os formatos de rádio. Não todos, como é evidente, pela razão avançada anteriormente, mas na lista da Billboard é possível encontrar, por exemplo, o Top 40/AC, Hot 100, Country, Latin, etc. Falta saber se foi a rádio que se adaptou aos formatos da indústria discográfica ou se foi esta que se arrumou em função do sucesso da rádio.

Por que é que há tanta música na rádio

November 26, 2005

Porque existe tanta música – entendendo por música aquela que é está associada à indústria discográfica e, portanto, a uma lógica comercial (e não por exemplo a outras funções que a música pode ter num contexto global, como a de separação de conteúdos, efeitos especiais num sonorização ou de identificação da estação).
Há diversas razões que explicam a abundância de música na rádio actual.
Uma remonta à redefinição da rádio como meio secundário: não exigindo uma grande atenção por parte de quem ouve, a música casa bem com a lógica de acumulação. Andrew Crisell fala na “ausência virtual de sentido, ou numa proporção diminuta, na música faz com que seja altamente compatível com a rádio como meio” (pág. 49) ou no facto de ser “puramente sonora” (64), o que lhe dá um forte carácter de background. Sabendo-se que muitos ouvintes, em muitas ocasiões, utilizam a rádio como meio secundário, enquanto têm outros sentidos ocupados com funções primárias (conduzir, por exemplo), podemos ouvir “a música porque ela, se nos permite usar a nossa imaginação, não se está a dirigir em concreto a nada da mesma forma que a voz [speech] o faz e portanto não nos obriga a usá-la: constitui, aliás, um ambiente sonoro perfeito [de background].” Crisell, pág 14.

Mas essa não é a única razão: a rádio que resulta do choque televisivo tem menos meios financeiros e muito mais concorrência (o FM e a abertura política do espectro), pelo que tem de encontrar alternativas de programação mais baratas. A música é barata, a partir do momento em que a indústria discográfica entende essa divulgação como publicidade (o single é a promoção do álbum…) e não só não cobra direitos significativos como até incentiva a divulgação da música gravada – oferecendo os discos. “Uma parceria de fenomenal sucesso (…) que tem sido crucial na formação da cultura popular moderna”, diz Crisell (66).
Além do mais, como lembra o mesmo autor, a curta duração das músicas relaciona-se bem com a necessidade de fazer vários intervalos publicitários, de curta duração (é muito mais difícil cortar um programa gravado ou uma entrevista, de cinco em cinco minutos).

O “payola” continua activo

November 24, 2005

Curioso: agora que se avizinha uma perda de influencia da música nas rádios (pelo menos é o que acho…) é que nos Estados Unidos investigam uma realidade conhecida há décadas: a dos pagamentos aos “djs” para passarem aquela música…
Depois da Sony, agora é a Warner Music a ser investigada. E nem deu espaço para polémica: pagou a multa e disse que não o voltaria a fazer! “Warner Music Group settled the case by agreeing to pay $5 million and reform its ways. Sony-BMG was the first to settle last July paying a $10 million fine.” (Second Recording Company Settles Spitzer Payola Probe – November 23, 2005)

Mais das rádios de música

November 5, 2005

O segredo da rádio musical é essencialmente financeiro. Como se percebeu pela contextualização do aparecimento das rádios especializadas, a multiplicidade de rádios locais no FM, após a ressaca do choque televisivo, obrigou-as a encontrar conteúdos baratos e que pudessem interessar os ouvintes. Como a indústria discográfica nos EUA sempre encarou a divulgação musical na rádio como promocional (sem cobrar direitos), esta transformou-se num gigantesco gira-discos. “La escasa capacidad financiera de las pequeñas emisoras les obligó a poner en antena espacios esencialmente musicales y realizados con pocos médios” (Martí, 99)

Características dos formatos musicais

November 1, 2005

“Some stations had libraries of 130, 140, maybe 200 songs. Imagine that: out of all the music created over the years, it was all strained down to the safe stuff, the songs that “tested” best.
These were the only songs anyone liked. Yep! Researchers and consultants were quite sure. After all, they were tested! So stations played a select amount of songs – often – to the increasing dismay of listeners who inevitably heard those same songs on similarly formatted stations with similar names from city to city. There was no escaping it. ”
Corey Deitz, “Maybe Commercial Radio Didn’t Know JACK All These Years“, Jul 20 2005

(isto vai conduzir a novos formatos, nomeadamente ao “Jack”)