“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

A internet como alternativa

March 1, 2006

http://osegundochoque.blogia.com/2006/030101-a-internet-como-boa-soluc-o-para-o-narrowcasting-.php

Acerto terminológico

November 17, 2005

Não confundir narrowcasting, como sinónimo de afunilamento de opções (que é o que tem sido usado aqui), e narrowcasting como sinónimo de público-alvo muito bem definido (são conceitos semelhantes mas não… sinónimos)

Já agora: se a rádio começou a emitir em broad casting, o estreitar de públicos tem como consequência o narrow… casting!

O que leva ao narrowcasting

October 29, 2005

É a actuação por competência directa leva ao narrowcasting (Marti, 76)

O narrowcasting também em Espanha

October 22, 2005

La concentración de emisoras en grandes ciudades podría haber sido una ocasión para la ampliación y diferencia de ofertas, sin embargo, está suponiendo mayor concurencia con idénticos planteamientos. Y además con una estrategia similar de concentración de los mismos tipos de contenidos a las mismas horas. Así es la programación de los noticiarios, de los magazines, de las transmisiones deportivas, de la difusión, de la musica, etc.”
Cebrian Herreros, pág. 426

A rádio que temos é inimiga da diversidade musical (e cultural)?

October 5, 2005

David Hendy, por exemplo, não tem dúvidas de que sim. Se encontra, por exemplo, no canal 1 da BBC uma excepção à rígida formatação e à elevada segmentação que caracterizam a rádio actualmente, a constatação mais evidente é que a rádio, tal como a conhecemos, é demasiado passiva (uma ideia que Hendy foi buscar a Roland Barthes e aos seus textos sobre o grão* (”Image, Music Text”). Os ouvintes acabam, na maior parte dos casos, por ficar reféns de uma cultura média imposta pela comunicação social, também ela muito condicionada por padrões externos (audiências, facturação, receptividade dos anunciantes). No fundo, e generalizando, ouvimos sempre a mesma música. “It is a commonplace of current radio criticism that music radio output is not only sometimes biased towards the more polished and melodic records of the music industry but also is bland and unchallenging as a whole” (Hendy, 172).
Apesar da segmentação de nichos e da consequente formatação por múltiplos géneros aparentemente indicarem multiplicidade de opções, isso não se verifica na realidade. Assiste-se à imposição de um gosto-médio, que as tabelas de vendas orientam, e que globalmente coincidirá com as músicas mais tocadas (“airplay”).
A disciplina é conseguida à custa da imposição das “play lists” (“A playlist allows station managers to reduce the element of risk entailed in leaving individual DJs and producers to select records, thus ensuring a proper consistency of output”, Hendy 173), da uniformização da animação e, até, de programas de software, como o “Selector” que organizam ou rejeitam determinadas categorias musicais, mais ou menos “emotivas”.
A rádio musical não tem, assim, capacidade ou espaço para favorecer a inovação musical, demasiado refém que está da indústria discográfica. Hendy não tem dúvidas: “Our understanding of radio’s ability - or, as more commonly stated, its inability - to encourage musical innovation, is based largely on the disjunction between the needs of radio and the needs of the music industry. Take the record sales charts. Each week, on average, between one- and two-hundred singles are released in the UK. To reach number one, a single would currently have to sell on average some 125,000 copies in a week. Exposure on radio is a crucial prerequisite of sales success on this scale” (Hendy 225)
Transformando-se num agente de homogeneização cultural, assiste-te à diminuição de estações de verdadeiro serviço público (mesmo que seja esse o seu estatuto político ou administrativo, como acontece com o canal 1 da portuguesa RDP) ou ao fim de experiências não comerciais (ver capítulo 2.6 Rádios sem formato). É o triunfo da globalização dos formatos, sobretudo musicais.
Hendy cita um caso paradigmático: “New York’s WNEW-FM, often described as America’s ‘first free-form progressive rock station’ - and a mirror for the city’s cultural, musical and sexual vitality - captured only 1.4 per cent of the city’s available audience in 1999, a situation which helped propel its owners into abandoning thirty-two years of history and reformatting it as a laddish all-talk station” (236).
Em Portugal dois exemplos são conhecidos: o fim das rádios XFM e Voxx (ambas com emissão simultânea em Lisboa e Porto), por falta de viabilidade financeira e cujas frequências foram alienadas para estações… comerciais - desenvolvimento em 2.6.

Multiplicidade ou homogeneização?

September 25, 2005

Em quase todos os países se assistiu a uma liberalização (privatização do sector rádio), que apareceu associada a uma promessa de diversidade.
Aparentemente, a multiplicidade e, ainda mais, a desmultiplicação de formatos que caracterizam a rádio que temos significam isso mesmo.
Mas essa constatação é só aparente.
Na verdade, vários autores concluíram pela existência de uma homogeneização da oferta, a que não será alheia a tendência para a concentração da propriedade (e o número limitado de frequências, geridas administrativamente pelos estados).
But if the evidence of recent American experience is anything to go by, even a city like New York, which is allowed many more stations than a British city like London, is nonetheless still dominated by a fairly small range of predictable mainstream formats offered by a few large companies.” (Hendy, pág. 31)
A ideia é que não se pode falar verdadeiramente em diversidade. A oferta não se diferencia e há autores, como David Hendy, que falam mesmo num estreitamento do mercado. Para S. J. Douglas não há dúvidas: “There are currently something in the order of fifty officially listed formats, and the hairsplitting between them seems ridiculous to an outsider. What really is the difference between soft rock (’plays older, softer rock’) and soft adult contemporary (’recurrents mixed with some current music’)? Classic hits features ’70s and 80s hits from rock-based artists,’ while classic rock features ‘older rock cuts.’ Country, whose AM audience. . . is primarily fifty-five and over, has gotten carved up into hot country or young country on the FM dial to attract youngers listeners” (Douglas, S. J. 1999: Listening In: Radio and the American Imagination, from Amos Andy and Edward R. Murrow to Wolfman Jack and Howard Stern. New York and Toronto: Random House. pág 348, apud David Hendy, pág 26).
Espremendo tudo o que existe, fica-se com pouco. Muitos nomes, mas os mesmos formatos. É o narrowcasting.
Mas este narrowcasting não se revela apenas na repetição dos formatos. Também o conteúdo da própria rádio não permite surpresas: “variety of programming within each station has been eroded in recent years” (Hendy, 27).
Ou: “a radio station refines the format of its programming in order to attract a very clear, tightly focussed group of listeners to be ‘delivered’ to an equally tightly focussed group of advertisers. The fact that a huge mass audience is not achieved is counterbalanced by securing the right kind of audience - the right ‘niche’ - for a particular set of advertisers”. (Hendy; 32).
Uma explicação para este fenómeno tem a ver com os baixos custos: determinada rádio assina (compra) um determinado modelo já várias vezes testado, que pode receber via satélite. Além de dar pouco trabalho e exigir pouca criatividade, sai muito barato (até pode limitar-se a reproduzir o que recebe, sem intervenção local). Outra razão relaciona-se com as audiências e o mercado publicitário: “Formats are not sought by radio stations to provide a diversity for its own sake. . . . Nor are they provided to satisfy listeners’ demands. The purpose of. . . formats is to enable radio stations to deliver to advertisers a measured and defined group of consumers, known as a segment“. (Fornatale, P. and Mills, J. E. 1980: Radio in the Television Age. Woodstock, NY: Overlook Press. 1980: pág. 61 apud Hendy, pág 35).

Mais sobre o narrowcasting (a partir da televisão)

September 24, 2005

With narrowcasting the programmer or producer assumes that only a limited number of people or a specific demographic group will be interested in the subject matter of a program. In many ways, this is the essence of cable television’s programming strategy

For the most part, the major networks [”In the earlier days of American television, the three major networks (NBC, CBS, and ABC) dominated programming and sought to obtain the widest audience possible. They avoided programming content that might appeal only to a small segment of the mass population and succeeded in their goal by reaching nearly 90% (combined) of the television viewing audience on a regular basis”] continue to gear their programming to the general mass audience. But increasingly, they, too, are engaged in forms of narrowcasting by segmenting similar programs that appeal to specific groups into adjacent time slots. A network, for example, might target young viewers by programming back-to-back futuristic space programs on one night, while on a different night, feature an ensemble of ethnic-oriented programs. This strategy allows the networks to reach the overall mass audience cumulatively rather than simultaneously”.

citações retiradas de
http://www.museum.tv/archives/etv/N/htmlN/narrowcasting/narrowcasting.htm

Porquê o narrowcasting

Há, por um lado, uma evidente dificuldade em catalogar/separar os diferentes formatos que fazem a rádio que temos, nomeadamente nos EUA.
Mas, por outro, será que essa diversidade de conceitos, essa pluralidade de oferta, significa, mesmo, uma multiplicidade de escolhas?
Ou estaremos perante um aparente paradoxo? É a mesma rádio, com nomes diferentes?
Um conceito que tem sido muito estudado é o de narrowcasting (ver a breve definição que pus na categoria).
More stations competing for the attention of the same listeners simply means that the total audience is being divided between a larger number of operators. In the past two decades the obvious - and first - response within the commercial sector and the advertising industry has been to move away from the notion of chasing rather ill-defined mass audiences in order to target more specific ones: narrowcasting, as opposed to broadcasting. In this approach, a radio station refines the format of its programming in order to attract a very clear, tightly focussed group of listeners to be ‘delivered’ to an equally tightly focussed group of advertisers. ”
Hendy, David, Radio in Global Age, Cambridge, Polity Press, 2000, pág. 32