No pós 74
«Face à evolução quer do meio, quer da sociedade e do sistema económico-comercial em que a rádio se integra, o formato de programação da rádio dos anos 80 cedeu lugar a outros, mais específicos, que procuram ir ao encontro de públicos cada vez mais definidos.
A profissionalização da rádio decorre da clara necessidade de adaptação do conteúdo ao público, e a consequente definição de públicos específicos para cada estação.
As noções de marketing começaram a nortear o funcionamento das estações de rádio, também no campo da produção, ultrapassando critérios de criatividade e personalidade, em função de dados específicos definidos pelos estudos de mercado e de audiência. O culto do programa de autor começou a desaparecer face a dados cientificamente comprovados que, ao apresentarem valores específicos de caracterização do público e dos níveis de audiência para cada hora do dia, permitiram a definição concreta dos conteúdos de cada estação de rádio. Mais importante do que quem e como apresenta, passa a ser aquilo que se apresenta, a música que toca e a informação que se disponibiliza,
nivelando o público por aquilo a que se chama “ouvinte segmentado” e que é definido pelos estudos de mercado, tal como em qualquer outro sector de actividade económica». (Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)
