“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

No pós 74

March 15, 2006

«Face à evolução quer do meio, quer da sociedade e do sistema económico-comercial em que a rádio se integra, o formato de programação da rádio dos anos 80 cedeu lugar a outros, mais específicos, que procuram ir ao encontro de públicos cada vez mais definidos.
A profissionalização da rádio decorre da clara necessidade de adaptação do conteúdo ao público, e a consequente definição de públicos específicos para cada estação.
As noções de marketing começaram a nortear o funcionamento das estações de rádio, também no campo da produção, ultrapassando critérios de criatividade e personalidade, em função de dados específicos definidos pelos estudos de mercado e de audiência. O culto do programa de autor começou a desaparecer face a dados cientificamente comprovados que, ao apresentarem valores específicos de caracterização do público e dos níveis de audiência para cada hora do dia, permitiram a definição concreta dos conteúdos de cada estação de rádio. Mais importante do que quem e como apresenta, passa a ser aquilo que se apresenta, a música que toca e a informação que se disponibiliza,
nivelando o público por aquilo a que se chama “ouvinte segmentado” e que é definido pelos estudos de mercado, tal como em qualquer outro sector de actividade económica». (Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)

A rádio portuguesa na década de 80

March 12, 2006

«Dos antigos tempos em que a virtude radiofónica consistia na “boa dicção e boa voz” de quem à partida fosse da situação, caiu-se hoje na atitude contrária: má dicção, má voz e, à partida, agressividade, são os elementos da nova virtude radiofónica. Eis porque o trabalho jornalístico da rádio portuguesa se, por um lado não mobiliza as populações, por outro lado parece um vígia e um vigiado apenas da hipersensibilidade das autoridades de todos os escalões. Como pano de fundo, as agências noticiosas e as editoras discográficas a cumprirem as funções de pronto -socorro», Carlos Albino (1985) in Lavoinne: s/d, 10).

Mais do mesmo

March 2, 2006

«Apesar de ter o mesmo nome da emissora do Algarve, a Kiss FM Lisboa é autónoma, uma garantia dada ao Diário Económico por Jorge Correia, responsável por este novo projecto. “Tem algumas semelhanças com a rádio do Algarve, mas não é um retransmissor”.
A nova rádio da grande Lisboa pretende fazer parte do conceito internacional da marca Kiss, que já emite em Londres, Paris, São Paulo ou Tóquio, ou seja, “ter uma atitude mais activa para com os ouvintes e destinada a jovens adultos entre os 25 e os 40 anos”, explica Jorge Correia. Para garantir o sucesso deste objectivo, foi contratada uma empresa de consultoria europeia, que está a trabalhar em Portugal, para garantir a adequada formatação da rádio.
A Kiss FM Lisboa vai apostar em grandes êxitos da música nacional e internacional, com uma ‘playlist’ cuidadosamente estudada pela consultora, tal como na informação curta de hora a hora. Não admitindo com que estações pretende concorrer directamente, Jorge Correia acredita que a Kiss FM Lisboa pode “ganhar ouvintes a todas as rádios”. Para aumentar as audiências está a ser feito um grande investimento em campanhas de marketing.(…).»

fonte: Diário Económico, 2/2/06, Ana Filipa Amaro

De uma notícia do Público de 3/3/06 (”Kiss fm já se pode ouvir em Lisboa”, de Ana Machado):
«Jorge Correia afirma que quer que fique claro que, mais do que fazer concorrência a qualquer outra rádio a emitir em Lisboa, a Kiss FM destaca-se por explorar o que as outras rádios ainda não ofereciam. “Estudámos o posicionamento de cada uma das rádios e tentámos colocar-nos no meio. Existe um lugar entre as rádios locais e os projectos de âmbito nacional. Não queremos o público da RFM, da Cidade ou da Comercial. Queremos roubar um bocadinho a cada uma delas. Procuramos um certo factor de diferenciação” afirma. (…) O responsável adianta ainda que tudo foi “cientificamente” estudado, desde as play-lists de música, à sonoplastia, para fazer um produto adequado ao mercado que agora pretendem conquistar em Lisboa. “Criou-se um formato de rádio científica que agora terá de ser testado.”»

Adaptação dos formatos à rádio portuguesa

January 14, 2006

“La aparición de modelos de radio especializada en formatos es un fenómeno reciente tanto en la radio privada como en la radio pública, y se ha decantado por la adopción de los formatos de música contemporánea. Por tanto, los formatos ahora mismo predominantes son muy reducidos si se comparan con la hiperespecialización de la radio en Estados Unidos, y sólo han sido originales en el desarrollo de algunos formatos como el Rack Clásico y el Jazz”.

María del Pilar Martinéz-Costa in MARTINÉZ-COSTA, María del Pilar e MORENO MORENO, Elsa, Programación Radiofónica, Ariel, Barcelona, 2004 , 332

Diferenças para os EUA

September 17, 2005

Enquanto em Portugal os formatos são essencialmente musicais, nos EUA a situação é esta:
About 80% of the USA’s 13,838 “terrestrial” radio stations are commercial stations.
Favorite formats:

News/talk: 2,179 stations
Country: 2,066 stations
Religious: 2,014 stations
Adult contemporary: 1,556 stations
Adult standards: 1,196 stations
Oldies: 1,060 stations
Rock: 869 stations

Source: Arbitron

ou seja, são os formatos de palavra que predominam. Com tudo o que isso significa para o futuro da própria rádio.

O mesmo se pode dizer de Portugal, até 1980

September 4, 2005

Las tendencias en la evolución del discurso y de los géneros programáticos no fueron, ni han sido nunca, homogéneas en todos los países del mundo. Las grandes radiodifusiones marcaban la pauta, pero cada modelo radiodifusor nacional iba definiendo su discurso en atención al grado de desarrolIo de la industria radiofónica, sus posibilidades tecnológicas y, como en el caso de España, sus posibilidades expresivas” (Martí i Martí, pág. 22). Ou seja, das próprias limitações políticas fortemente impostas pelo poder.