“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

As mulheres ouvem menos rádio

January 19, 2006

Consumo: Portuguesas ouvem menos rádio e Cidade FM é a mais feminina

Lisboa, 17 Jan (Lusa) - As portuguesas ouvem rádio durante cerca de uma hora e vinte minutos por dia, com a emissora Cidade FM a registar a maior concentração de público feminino, segundo um estudo
da agência de meios Media Planning.
As mulheres ouvem, em média, 81 minutos diários de rádio, menos 18 minutos que o índice de consumo da população em geral, que dedica por dia cerca de 99 minutos a este suporte de comunicação.
A Cidade FM é a estação de rádio portuguesa com maior percentagem de mulheres no total do seu auditório (54,6 por cento), de acordo com o relatório da empresa de planeamento e compra de espaço
publicitário.
A rádio jovem do grupo Media Capital Rádio não é, no entanto, a mais ouvida pelo sexo feminino.
À semelhança dos gostos da população portuguesa em geral, a RFM é a rádio mais ouvida pelas portuguesas, registando entre este público-alvo uma quota de audiência de 25 por cento, ou seja, superior
à média.
Inserida no mesmo grupo, a Renascença segue na segunda posição das preferências das mulheres, conseguindo uma quota de 14 por cento.
É durante os dias úteis que as portuguesas, à semelhança do total da população, mais ouvem rádio, com uma audiência semanal que ronda os 52,5 por cento.
Aos fins-de-semana, o sábado revela-se como o dia que regista o maior índice de audiência: 38,6 por cento.
Os períodos horários com maior incidência de público feminino estão situados entre as 08:00 e as 12:00 e entre as 14:00 e as 16:00.
Os dados divulgados pela empresa Media Planning referem valores do primeiro semestre de 2005 e são baseados no painel de estudo da empresa de audimetria Marktest (Marksel Rádio), um universo
de 4.343.000 mulheres. (via LUSA, LGR1334 4 eco 302 LUSA 7649538)

(Curiosamente a fonte desta informação, o estudo da Media Planning, diz que “as mulheres controlam 80 por cento do mercado”)

De acordo com os cinco modelos de financiamento

October 5, 2005

A situação em Portugal é muito mais simples e estreita (do que aquela que Hendy descreve).
Quase todas as rádios existentes são privadas, e com características comerciais, e existem três canais de serviço público, pertencendo ao Estado, sob o nome RDP.
Não se pode falar portanto de rádio estatal, embora por vezes se designe a RDP como rádio oficial (nomeadamente o canal generalista, Antena 1; os outros são temáticos, Antena 2, basicamente música clássica, e Antena 3, uma rádio destinada ao público jovem, à base de música. Nenhum dos canais tem publicidade comercial, estando as suas receitas dependentes da cobrança obrigatória de uma taxa de radiodifusão).
Numa espécie de meio termo entre a rádio de serviço público e a rádio comercial, existe em Portugal a rádio propriedade da Igreja Católica, mais concretamente do Patriarcado de Lisboa (resultante da concordata assinada entre o Vaticano e o Estado Português).
O Grupo Renascença possui três rádios, sendo duas delas nacionais (Rádio Renascença Canal 1 e RFM, as duas mais ouvidas a nível nacional) e uma com emissores nas principais cidades (Mega FM). Possui ainda alguns serviços regionais, com programação local muito residual.
As rádios do Grupo Renascença são financiadas pela publicidade comercial, por um peditório anual feito em todas as igrejas católicas e por uma “liga de amigos”. Apenas o Canal 1 inclui programação directamente religiosa, já que, por exemplo, transmite diariamente o “terço” (18h30) em directo de Fátima.
(Existem outras rádios propriedade de confissões religiosas, incluindo a Igreja Católica, mas de dimensão e iniciativa local. Todas têm um comportamento comercial. Há uma associação de rádios de inspiração cristã, dinamizada pela Renascença, designada ARIC, mas entre as associadas estão muitas rádios sem qualquer ligação funcional à Igreja Católica).
Finalmente, uma nota para o único caso de rádios de comunidade em Portugal: a Lei da Rádio, versão lei nº 33/2003, de 22 de Agosto, no seu número 5 passou a contemplar a possibilidade de existirem rádios vocacionadas para públicos universitários. Até então, as três rádios universitárias existentes concorreram ao concurso (aberto) de 1989 “em condições de formal igualdade face aos outros concorrentes”, lembra Arons de Carvalho in CARVALHO, A., CARDOSO, A. e FIGUEIREDO, J. Legislação Anotada da Comunicação Social, Lisboa, Casa das Letras, 2005, pág. 212. Essa nova disposição foi aproveitada, até esta altura, por apenas uma entidade, a Associação Rádio Universidade do Algarve. O que torna esta rádio diferente das restantes é que, além dos objectivos muito específicos de emissão, “os serviços de programas a que se refere o presente artigo não podem incluir qualquer forma de publicidade comercial, incluindo patrocínios” (artigo 5º, número 4 da Lei da Rádio).
Ou seja, é a única rádio não comercial que existe em Portugal (à excepção das de serviço público).
Não há conhecimento da existência de rádios livres (“piratas”).

o consumo de rádio em Portugal tem evidenciado alguma tendência de subida

September 16, 2005

Dois excertos:
A audiência acumulada de véspera para o meio rádio situou-se nos 58.0% no ano de 2004. Apesar de ligeiramente inferior à média do ano transacto, os dados da Marktest revelam que o consumo de rádio está a aumentar. No último trimestre de 2004 este indicador atingiu os 59.4%, o segundo mais elevado nos últimos cinco anos (apenas no primeiro trimestre de 1999 se registou um valor mais elevado, de 60.0%).”

Numa análise anual, verifica-se que de 2000 a 2002 se assistiu a uma quebra no consumo de rádio. Os resultados dos anos 2003 e 2004 vêem contrariar essa tendência, registando 58.4% e 58.0% de audiência acumulada de véspera.”

Três horas e 25 minutos?

August 18, 2005

A Marktest, empresa que faz os estudos de audiência de rádio em Portugal, diz que, tendo em atenção os números do segundo trimestre de 2005, “Cada português ouviu, em média, três horas e 25 minutos de rádio, por dia“.

Três horas e 25 minutos (é uma média, claro, mas se há quem ouviu menos há quem tenha ouvido mais…)???

Parece-me de mais, mas não tenho dados para contestar os números.
Três horas e 25 minutos?

E, dando-os como correctos, faz sentido deixar algumas considerações:
- ninguém gasta tanto tempo a ler jornais ou a ver televisão, diariamente!
- que força a rádio ainda tem em Portugal;
- que desperdício a rádio não tirar partido deste trunfo!