“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

A rádio musical tem ouvintes

March 3, 2006

«Os jovens até aos 35 anos são os maiores consumidores de rádio, segundo os dados do Bareme Rádio da Marktest, disponíveis no Anuário de Media & Publicidade 2005.

De acordo com os resultados do Bareme Rádio, 58.9% dos residentes no Continente com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos costumam ouvir rádio (referência: véspera). Este valor representa um pequeno crescimento face ao ano anterior, quando o valor se situava nos 58.0%. (…)

Os dados globais do ano para o total rádio mostram uma curva ascendente dos 15 aos 24 anos e depois sempre descendente à medida que a idade aumenta. O grupo dos 18 aos 24 anos é o que apresenta maior audiência acumulada de véspera, de 74.6% - superior aos 58.9% da média do universo. A partir deste grupo etário, as audiências de rádio tendem a descer sempre, para atingir os 39.1% no grupo dos indivíduos com mais de 64 anos.

Uma análise por períodos horários mostra que os jovens dos 15 aos 17 anos e os jovens dos 18 aos 24 anos são os que apresentam um comportamento mais diferente da média na audição de rádio. Os primeiros, se ao longo do dia registam quase sempre audiência acumulada de véspera inferior ao universo, destacam-se a partir das 18 horas, quando o seu consumo de rádio é bastante superior a esta média.

Entre os 18 e os 24 anos o consumo tardio de rádio é também bastante superior à média do universo, mas este grupo apresenta valores acima do universo ao longo de todo o dia, excepto no período que vai das 7 às 10 horas da manhã, quando o seu consumo de rádio é inferior a esta média. »
Fonte: Os jovens e a rádio, Marktest.com, 2 Março 2006

Por que é que há muitas rádios de música em Portugal

September 25, 2005

Abundam – como se verá posteriormente – as rádios musicais em Portugal.
As explicações não são muito complicadas e têm a ver com os custos.
Uma vez que o bolo publicitário destinado à rádio é pequeno (não chega aos 200 milhões de euros), os proprietários apostam na redução de custos.
A rádio musical é – genericamente – mais barata do que a rádio de palavra (embora se admitam algumas excepções). Os seus custos resumem-se, além da exploração, aos animadores (disc jockeys) e aos direitos de autor. A indústria discográfica em Portugal é colaborante, à semelhança do que acontece, por exemplo, nos EUA: “In the United States, the recording industry always perceived radio to be a useful means of advertising its products, and was reluctant to extract fees; in the UK, record companies made an early assumption that pop-music radio represented competition to record sales while musicians worried about the threat to live performances, and this led to ‘needletime’ agreements that limited output severely” (David Hendy, pág. 39).