“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

Programação antes de 74

March 15, 2006

genericamente:
«Nesta altura, a rádio servia para distrair a população, fazendo-a esquecer, ainda que
por breves momentos, da situação de fechamento a que o país estava votado. O grande objectivo da programação centrava-se na função de entretenimento, estabelecendo uma comunicação radiofónica pouco original, através de programas que procuravam acima de tudo, distrair os ouvintes dos verdadeiros problemas que afectavam a nação».

«A década de 60 viu nascer vários programas impertinentes que se aproximavam demasiado dos limites impostos pela censura. Ao longo desta década, a rádio começou lentamente a assumir um papel de divulgação da cultura. A informação passou a ser um elemento central para os programas que se especializaram em torno de temáticas tão diferentes como a informação de actualidade
ou a divulgação musical» (pág. 3)

«Os quarenta anos obstinados de um chefe autoritário chegaram ao fim, e deu-se início a um período, que embora reforçasse as restrições à liberdade, ficou para a história como a “Primavera Marcelista”. Foi neste período que se produziram programas e reportagens que marcaram a história da informação no nosso país. Eram espaços que não tinham propaganda ao regime, programas
que mostravam um certo inconformismo em relação à situação» (pág. 3).

(Paula Cordeiro, «A Rádio em Portugal: um pouco de história e perspectivas de evolução», www.bocc.ubi.pt, consultado a 15/3/06)

Os formatos na rádio portuguesa

November 5, 2005

Os formatos são uma realidade muito distante da rádio portuguesa. Aliás, o mercado (em sentido mais geral) apenas arruma as rádios por estações e grupos de propriedade e não outro tipo de arrumação temática ou por modelos programáticos. A escassez do mercado publicitário (NUMEROS) e da oferta, com apenas uma rádio de informação e as restantes de música, levam a que o Bareme ignore qualquer concorrência temática.
Ainda assim, se a proposta é classificar os conteúdos das rádios portuguesas, não é possível – até falta de alternativas – ignorar a lógica dos formatos – Portugal será um dos poucos países do Ocidente onde não há uma rádio com os “40 maiores sucessos de música” (Top 40).
Não será fácil, também pelas dificuldades intrínsecas de falta de sistematização, enunciadas em capítulo anterior, mas é esse o desafio