“A rádio que temos” é um blogue de João Paulo Meneses, de apoio ao trabalho escrito do 2º ano do doutoramento em comunicação na Universidade de Vigo. Pretende identificar a rádio portuguesa e, já agora, opô-la, a nível de formatos, à rádio de alguma Europa.

As 8 horas

April 1, 2006

A escolha de oito horas obedece a critérios lógicos de adequação dos objectivos às possibilidades físicas: uma análise como a que foi feita (com registo ao segundo), implica uma devoção completa à emissão, ainda por cima durante dez dias (e como, por exemplo, muitas das músicas transmitidas não são identificadas, sendo que essa identificação era fundamental para o trabalho, foi preciso posteriormente, através de outros meios apurar a identidade dessas músicas). É certo que, contabilisticamente, elas representam um terço da emissão, mas essas são as oito horas indiscutivelmente mais importantes para as rádios, quer a nível de audiência quer de emissão publicitária.
A questão deve pôr-se não ao nível da escolha de outro bloco (por exemplo 12-16 em vez de 16-20) mas se haverá , noutros horários, ainda que menos relevantes, perfis de programas tão diferentes que pudessem remeter para públicos também diferentes, alterando a classificação do formato? Por um lado, essa constatação seria sempre contraditória a própria lógica de formato e, depois, sempre minoritária. Mas, além de escutas anteriores e posteriores para verificar essa realidade, junta-se à análise um dado incontestado: os perfis etários (e se necessário sócio-económicos) dos ouvintes ajudam a traçar o perfil e o formato.

Mais notas

March 21, 2006

A partir do momento em que o trabalho de campo foi realizado em Dezembro de 2005, os dados mais actuais do Anuário de Meios da Marktest (que condensa um ano de Bareme) são os de 2004. Os quadros comparativos foram realizados com os valores de 2004.
Os dados de 2005 apenas foram disponibilizados no final do trimestre de 2006 e - uma análise posterior - demonstra a inexistência de alterações significativas.

Dados a acrescentar

March 18, 2006

O trabalho de campo dividiu-se em duas fases. Numa primeira foram feitos os registos detalhados dos conteúdos, por tempo de duração, das rádios em causa, com a respectiva transformação dos resultados em gráficos de resumo.
Numa segunda fase, isolaram-se os dados sobre o ano de edição das músicas transmitidas e comparou-se esses dados com o perfil etário de cada uma das rádios, de acordo com os dados do Anuário de Meios da Marktest, relativo a 2004 (o último disponível no momento em que decorreu o trabalho de campo).
Para se conseguir colocar num mesmo gráfico comparativo os dados do perfil etário e os resultados apurados relativos aos anos de edição das músicas foi preciso proceder a alguma compatibilização.
A partir do momento em que a Marktest usa sete intervalos na sua segmentação etária (15-17, 18-24, 25-34, 35-44, 45-54, 55-64 e mais de 64) e na pesquisa inicial optei por um máximo de 11 intervalos (de 1955 até 2005), porque respondiam à necessidade de mais rigor e de melhor informação, ao passarmos para a segunda fase, compatibilizei esses 11 intervalos em sete.
Desta forma,
- aos ouvintes com mais de 64 anos «corresponde» a música editada até 1969;
- aos ouvintes entre 55 e 64 anos «corresponde» a música editada entre 1970 e 1974;
- aos ouvintes entre 45 e 54 anos «corresponde» a música editada entre 1975 e 1979;
- aos ouvintes entre 35 e 44 anos «corresponde» a música editada entre 1980 e 1989;
- aos ouvintes entre 25 e 34 anos «corresponde» a música editada entre 1990 e 1999;
- aos ouvintes entre 18 e 24 anos «corresponde» a música editada entre 2000 e 2004;
- aos ouvintes entre 15 e 17 anos «corresponde» a música editada 2005;
Não duvido que este esforço de compatibilização possa ser alvo de críticas, por se estruturar empiricamente e por que os 11 intervalos poderiam ser adaptados de outra forma, mas gostaria de deixar duas notas:
- a opção seguiu um critério assente na lógica e no bom senso, com o máximo de rigor no tratamento dos dados;
- para que fosse possível elaborar os quadros comparativos (e respectivas leituras) teria sempre de haver uma compatibilização;
Não se duvida, insiste-se, que uma compatibilização como esta não pode ter uma valor absoluto, até porque, lidando com intervalos impostos pela Marktest, é forçoso reconhecer que poderá haver interesses muito diferentes entre um ouvinte com 18 anos e outro com 24, mas englobados no mesmo intervalo.
Por outro lado, se é relativamente pacífico que um jovem com 15 anos - por regra - ouvirá a música mais recente, não é correcto aplicar uma regra de transposição - é normal que um ouvinte com 30 anos continue a procurar músicas novas, não apenas por questões psicológicas, mas também porque os músicos que ele conheceu aos 15 anos poderão ter novos sucessos 15 anos depois. Ou seja, é preciso ter em conta que pelo menos até à faixa etária 25-34 anos a procura por música recente será grande. A diferença vai notar-se no peso percentual que, por exemplo, a música editada em 2000-2004 e em 2005 vai ter em cada rádio.

Mais um dado: na análise dos quadros da segunda fase introduzem-se elementos comparativos entre rádios com o mesmo perfil (etário ou musical), para perceber semelhanças e diferenças.

Isto significa que na alínea respectiva a cada rádio analisada haverá duas entradas relativas a essas duas fases.

Também neste capítulo vão faltar os dados sobre a TSF, ausência motivada pela não transmissão de música. A caracterização do perfil etário desta rádio foi feita anteriormente.

Ponto de partida metodológico

October 16, 2005

A proposta é analisar as diferentes grelhas de programas (e as tabelas publicitárias, onde encontraremos os manifestos auto-propostos de cada rádio) recorrendo à verificação dos seus conteúdos numa perspectiva – para usar o termo de Martí i Martí – da sua “finalidade” (aliás, o mais importante para este autor quando se pensa numa estratégia de programação). Estamos, pois, no domínio dos objectivos de cada rádio. “La radiación de un tipo de programas y la supresión de otros presupone una determinada orientación productiva a la búsqueda de un público consumidor, como sería el caso de las emisoras comerciales o, en el de las radios públicas, la realización de un servicio social por mandato institucional” (MiM 56)